O juiz federal Sergio Moro, que comanda as investigações da Operação Lava Jato, aceitou, no dia 1º, o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro e será o ministro da Justiça.
Na verdade, um superministro, pois a Justiça incorporará a Segurança e contará com poderes especiais para o combate ao crime e à corrupção. Por exemplo, incluirá até a Coaf, órgão do Ministério da Fazenda que controla as transferências bancárias — e que flagraria, em dezembro, operações de assessor de Flávio Bolsonaro.
O anúncio foi feito por Moro, em nota. “Após reunião pessoal, na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei, honrado, o convite”, afirmou.
Jair Bolsonaro, confirmou o nome de Moro no ministério. “Sua agenda anticorrupção, anticrime organizado, bem como o respeito à Constituição e às leis será o nosso norte”, escreveu. Em suas redes sociais, Bolsonaro anunciou a fusão das pastas da Justiça e da Segurança Pública.
Sergio Moro ficou cerca de uma hora e meia com o presidente eleito. Ao sair da reunião, acenou para as pessoas em frente à casa, mas não deu entrevista. Estava ao lado do também futuro ministro Paulo Guedes, da Economia, e ambos se queixaram da confusão.
O juiz lamentou abandonar 22 anos de magistratura. Para ele, na prática, o cargo significa “consolidar os avanços contra o crime e a corrupção e afastar riscos de retrocessos por um bem maior”.
Segundo Moro, a Operação Lava Jato continuará em Curitiba. “Para evitar controvérsias desnecessárias, devo, desde logo, afastar-me de novas audiências, acrescentou.
Natural de Maringá (PR), Sergio Fernando Moro, além de magistrado, é escritor e professor universitário. Graduado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá, o juiz que comandou a Operação Lava Jato tem mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Paraná. É juiz federal desde 1996, com especialização em crimes financeiros. No julgamento do mensalão, Moro auxiliou a ministra Rosa Weber, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Executivo deverá contar com um “Ministério da Família”
O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse, no dia 6, que o senador Magno Malta (PR-ES) pode fazer parte de sua equipe, como o titular de um certo “ministério da família”, mas não confirmou se o parlamentar será nomeado para a pasta.
“É possível”, limitou-se a falar, na saída de uma visita de cortesia à Marinha, em Brasília. “A questão da família é importante, fez parte do nosso projeto. E a família tem que ser preservada”.
Diante de perguntas, disse que até o fim do mês seu ministério estará nomeado. Haverá alguma mulher?, quis saber um jornalista. “Olha, vai me pergunta se vai ter homossexual? Eu não sei. Nós já temos cinco ministros definidos. No caso, vamos tirar um desses e botar uma mulher só porque é mulher?”, respondeu.
Haddad se torna réu por corrupção quando prefeito
O ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, candidato derrotado à Presidência pelo PT, se tornou réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em decorrência da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC. É a primeira vez que Haddad se torna réu em uma ação criminal.
O juiz Leonardo Barreiros, da 5ª Vara Criminal da Barra Funda, na capital paulista, instaurou uma ação penal ao aceitar denúncia do Ministério Público de suposto pedido de R$ 3 milhões para quitar dívidas de campanha.
Haddad nega irregularidades e diz que acionará a Justiça para se defender. “A denúncia é mais uma tentativa de reciclar a já conhecida e descredibilizada delação de Ricardo Pessoa”, afirmou em nota.
Ministro reverá as bases do programa Mais Médicos
O futuro ministro da Saúde, o deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), afirmou, no dia 20, que o programa Mais Médicos era uma parceria entre o PT e Cuba, então entre dois países, e que ainda precisa se reunir com o governo atual para definir o que será feito após os profissionais cubanos deixarem o Brasil.
“Esse (a ruptura do projeto) era um dos riscos de se fazer um convênio e terceirizar uma mão de obra tão essencial. Me pareceu muito mais um convênio entre Cuba e o PT, e não entre Cuba e o Brasil, porque não houve uma tentativa bilateral, mas sim uma ruptura unilateral (por parte de Cuba)”, disse ao deixar o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Brasília, onde a equipe de transição se reúne, pouco após ser anunciado como futuro ministro da pasta.