Depósitos mensais feitos na conta do policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), coincidem com as datas de pagamento de salário dos servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
Em todos os meses a sequência de depósitos começa após a data do pagamento do salário. Na maioria das vezes, as entradas se iniciam no mesmo dia ou dia seguinte, se estendendo até uma semana após a quitação do vencimento.
A informação sobre a coincidência de datas foi revelada pelo site da Veja. Queiroz é citado em relatório do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) por movimentação atípica de R$ 1,3 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.
A coincidência entre as datas reforça a suspeita de que Queiroz era o responsável por recolher parte dos salários de servidores do gabinete de Bolsonaro. Esta é uma prática comum no Legislativo. Como o dinheiro costumava ser sacado logo em seguida, como se revelou na terça (11), não é possível saber o destino final dos recursos.
Muitos deputados usam essa verba para projetos mantidos em seus currais eleitorais. O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga o caso de Bolsonaro e outros 20 deputados citados no relatório do Coaf.
Versão “plausível”
Flávio Bolsonaro afirmou que Queiroz já lhe apresentou uma versão sobre a movimentação que considerou plausível. O senador eleito não disse qual era a explicação, sob alegação de que ela deve ser apresentada ao Ministério Público.
O ex-assessor de Bolsonaro foi procurado em endereços ligados ao seu nome no Rio de Janeiro, mas não foi localizado.
Trabalho será mesmo fatiado por três ministérios, diz Onyx
O futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), afirmou, em entrevista nesta segunda-feira (3), que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) vai extinguir o Ministério do Trabalho. Segundo Onyx, as atribuições da pasta serão divididas entre Economia, Cidadania e Justiça.
“O atual Ministério do Trabalho como é conhecido ficará uma parte no ministério do doutor Moro, outra parte com Osmar Terra e outra parte com o Paulo Guedes, lá no Ministério da Economia, para poder tanto a parte do trabalhador e do empresário dentro do mesmo organograma”, afirmou.
Trata-se de uma mudança em relação ao que foi afirmado pelo presidente eleito em novembro, que disse que a pasta seguiria com status de ministério.
Escolhida ministra da Família
Advogada e assessora do senador Magno Malta, Damares Alves foi anunciada na quinta-feira (6) como titular do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Damares que é educadora e pastora evangélica, é a segunda mulher anunciada para compor o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, que já conta com 21 ministérios. O anúncio foi feito pelo ministro Onyx Lorenzoni no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do governo de transição.
A futura ministra disse que vai trazer para o protagonismo mulheres que ainda não foram atingidas por políticas públicas e que vai fazer um amplo pacto pela infância, já que a Secretaria da Infância também vai integrar a pasta. “Infância vai ser prioridade nesse governo, é intenção do presidente”, disse Damares após ser anunciada como ministra do governo Bolsonaro.

Foto:Valter Campanato/Agência Brasil
Conselho terá papel da Funai ao definir áreas indígenas
O Ministério da Agricultura informou, nesta terça-feira (18), que será criado um “conselho interministerial” para definir assuntos relacionados a demarcações de terras indígenas e casos que envolvam conflitos por titularidade de terras. Esse conselho, segundo a Agricultura, está em “processo de criação” e reunirá as pastas da Agricultura, Defesa e Meio Ambiente, Mulher e Gabinete de Segurança Institucional.
Até hoje, a questão da demarcação de terras indígenas era tema exclusivo da Fundação Nacional do Índio (Funai), que submetia seus estudos técnicos ao Ministério da Justiça. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, já determinou que a Funai migrará para o novo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, de Damares Alves.