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Política & Poder

Renan Santos lança manifesto em ato no Ibirapuera e pede prisão de Moraes, Toffoli e chefe da PF

O protesto buscou explorar o desgaste provocado na Corte e na cúpula da PF pelas recentes revelações sobre as relações de autoridades com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master

Redação Jornal de Brasília

07/09/2026 14h21

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Foto: Reprodução

Mariana Grasso
Folhapress


Na manhã desta segunda-feira (7), Renan Santos e seus apoiadores protestaram no Obelisco do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, em um ato que defendeu a prisão e o afastamento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O protesto buscou explorar o desgaste provocado na Corte e na cúpula da PF pelas recentes revelações sobre as relações de autoridades com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

No evento, Renan Santos fez um discurso crítico às elites, acusando a classe dirigente de deixar o país “destruído” e de conformismo com a corrupção e a violência urbana.

“A nossa elite é um lixo. A nossa elite intelectual é um lixo. As pessoas que comandam as posições de poder no Brasil merecem o lixo que se tornou o nosso país. Elas são corresponsáveis por isso. Elas são o fracasso”, disse.

O candidato mirou os dois maiores líderes nas pesquisas, afirmando que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) representam, respectivamente, o risco de um governo autoritário de esquerda e uma “oligarquia de corruptos do centrão”.

“Eu não aceito essa democracia que torna brasileiros escravos do crime organizado e ladrões donos das nossas ruas. Se isso é democracia para vocês, eu não sou um democrata”, afirmou.

“Nenhum dos dois apresenta um plano para a resolução da economia brasileira. Flávio Bolsonaro e Lula aceitam que você continue sendo roubado”.

O ponto central da fala de Santos foi o lançamento do “Manifesto pelo Futuro da Nação”, documento lido diante da militância e apresentado como uma “última convocatória em favor do futuro da nação”.

O texto classifica o debate político brasileiro como uma “farsa” e nega que o país viva uma polarização ideológica. “Não há polarização. A direita hegemônica e a esquerda governista são dominadas pelos mesmos sócios no crime, Daniel Vorcaro entre eles. O Supremo Tribunal Federal, peça central desse arranjo, tem gângsteres em seus quadros, homens que se acomodaram ao banditismo cotidiano”, diz o manifesto lido pelo presidenciável.

O documento sintetiza quatro exigências institucionais centrais: a saída e prisão imediata de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes do STF; o afastamento de Andrei Rodrigues da Direção-Geral da PF; a demissão de Paulo Gonet da Procuradoria-Geral da República (PGR); e a manutenção das apurações do caso Master sob condução do ministro André Mendonça.

O texto defende ainda a execução de mandados de busca e apreensão e a devassa em locais e nomes citados no escândalo —incluindo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e o Resort Tayayá, no Paraná.

Presente no evento, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) reforçou o tom de cobrança sobre os demais concorrentes ao Planalto —citando nominalmente Flávio Bolsonaro, Lula, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).

“Eu gostaria muito de aproveitar a presença da imprensa que está aqui para a gente poder, no dia de hoje, sair com o compromisso de todas as candidaturas à Presidência da República de, caso eleitos, nomear ministros do Supremo que tenham independência, inclusive para votar a prisão do ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Kataguiri.

“O mínimo que se espera de alguém que quer ser presidente da República é ter a coragem de pedir a prisão de um criminoso”, disse.

Kataguiri acusou os adversários de omitir o escândalo financeiro por “canalhice”, “covardia” ou por estarem comprometidos com o ex-controlador do Banco Master.

“Eu tenho certeza que, seja por envolvimento com o Vorcaro ou com o Banco Master, ou seja por covardia, outras candidaturas à Presidência não vão se comprometer a pedir a prisão de Alexandre de Moraes. Apenas nós temos a independência para pedir a prisão, porque apenas nós não estamos na lista de transmissão do Vorcaro”, afirmou o parlamentar, que também criticou retaliações sofridas pela chapa do Missão junto à Justiça Eleitoral.

Kim aproveitou a divulgação para convidar formalmente os demais candidatos à Presidência a assinarem o manifesto do Missão, reiterando que os políticos precisam ter coragem e não estarem ligados a Daniel Vorcaro.

A manifestação no Ibirapuera deu sequência à ofensiva institucional iniciada pelo candidato no dia 2 de setembro, quando Santos protocolou no Senado pedidos de impeachment contra Toffoli e Moraes com base na Lei de Crimes de Responsabilidade.

Nas peças, o presidenciável acusa os magistrados de procederem de modo incompatível com a honra e o decoro do cargo devido a supostos repasses e vantagens financeiras ligadas ao empresário.

Estadão conteúdo

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