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Política & Poder

Região Sul supera fome em 900 mil lares com Sisan, mas capitais ainda em risco

Dados do MDS revelam avanços na segurança alimentar entre 2022 e 2024, graças ao aprimoramento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

Redação Jornal de Brasília

14/04/2026 21h36

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Foto: Fernando Alves SECF-MDS

Dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) indicam que cerca de 900 mil domicílios da Região Sul deixaram a situação de insegurança alimentar grave entre 2022 e 2024. No mesmo período, 4,4 milhões de lares passaram a viver em segurança alimentar, enquanto 1,7 milhão superaram a insegurança alimentar leve e mais de 1 milhão deixaram a condição moderada. Esses avanços refletem os efeitos da retomada e do aprimoramento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), implementado desde 2023.

As informações, levantadas pela Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do MDS, foram divulgadas nesta terça-feira (14 de abril), durante o Encontro Regional do Sisan, em Curitiba (PR). O Sisan integra ações de diferentes áreas e níveis de governo, com participação da sociedade civil, para garantir o direito humano à alimentação adequada. Segundo a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), a insegurança leve envolve preocupação com a falta de alimentos no futuro, a moderada refere-se à redução na qualidade e quantidade da alimentação, e a grave corresponde à situação de fome.

Apesar dos progressos, o monitoramento revela persistentes desafios. O Sistema de Vigilância da Segurança Alimentar e Nutricional, por meio do CadInsan, aponta que Porto Alegre (RS), Curitiba (PR) e Canoas (RS) concentram os maiores números de domicílios em insegurança alimentar grave na região, com 11.975, 5.696 e 4.269 lares, respectivamente. As capitais Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis (SC) somam cerca de 19,5 mil domicílios em risco de agravamento da insegurança alimentar.

Outro instrumento de monitoramento é a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA), aplicada pelas equipes da atenção primária à saúde. Na Região Sul, em média, 2,2% dos lares se enquadram nesse perfil de risco, e 75,5% dessas famílias estão inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), facilitando o acesso a políticas públicas. Um estudo indica que o ingresso no Programa Bolsa Família pode elevar em cerca de 16% as chances de superação da insegurança alimentar em famílias identificadas em risco entre julho e dezembro de 2025. Já os domicílios inscritos no CadÚnico, incluindo beneficiários do programa, apresentam probabilidade 30% maior de sair dessa condição, enquanto famílias sem acesso a esses instrumentos têm chance 18% inferior.

O Protocolo Brasil Sem Fome promove a integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS), o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sisan, permitindo a identificação de famílias em risco e o direcionamento eficiente de atendimentos. As informações geradas pelos sistemas de monitoramento orientam o poder público na identificação de territórios prioritários, no acompanhamento de resultados e na qualificação de políticas para a segurança alimentar e nutricional.

O Encontro Regional do Sisan, realizado de 13 a 15 de abril, reúne gestores e representantes da sociedade civil para debater desafios e estratégias de aprimoramento do sistema. No segundo dia do evento, houve uma visita a equipamentos de segurança alimentar e nutricional de Curitiba, além de debates em cinco Grupos de Trabalho sobre os principais desafios e soluções para o fortalecimento da segurança alimentar no Brasil.

Representantes das Câmaras Intersetoriais de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisans) e Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional (Conseas) apresentaram iniciativas municipais dos três estados da região. Destaques incluem o Programa Mesa Solidária, de Curitiba, criado em 2019 para oferecer refeições gratuitas e de qualidade a pessoas em vulnerabilidade, especialmente a população em situação de rua. Em Ipuaçu (SC), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Indígena promove a segurança alimentar e a economia local na Terra Indígena Xapecó, comprando diretamente a produção de agricultores indígenas. Já em São Leopoldo (RS), o Programa Nutrindo Vidas, iniciado em 2021 durante a pandemia, apoia cozinhas comunitárias em territórios vulneráveis.

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