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Política & Poder

Rede ataca Buriti e apoia Ibaneis

Arquivo Geral

25/10/2018 7h00

Atualizada 24/10/2018 23h59

Foto: Rayra Paiva Franco/Jornal de Brasília

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

A cúpula da Rede Sustentabilidade rompeu de vez com a campanha de reeleição do governador Rollemberg (PSB) e passou a apoiar Ibaneis Rocha (MDB) na eleição para o Governo do Distrito Federal. Os principais representantes do Elo da Rede-DF, equivalente ao diretório regional dos demais partidos, divulgaram uma nota pública declarando apoio e voto no emedebista, estreante na corrida eleitoral. No texto, os filiados ainda criticaram o atual chefe do Executivo. A Rede foi o primeiro aliado de Rollemberg, logo após o PSB, na sua eleição em 2014, quando ainda se organizava.

“Honrar compromissos, respeitar aliados e não trair a confiança das pessoas são princípios básicos para qualquer homem público”, afirmaram na nota. Para a Rede, a campanha de reeleição foi marcada por uma política predatória, com ataques pessoais e pouco esforço na discussão de propostas para Brasília. Para o partido, o governador e sua equipe mostraram apego à construção de projeto pessoal de “poder pelo poder”.

Segundo o documento da Rede, o grupo político do governador concentrou inclusive poder econômico entre um grupo restrito de aliados durante a campanha. “O uso do poder econômico em desfavor dos nossos candidatos e a ingratidão com quem o apoiou quando tinha a maior rejeição e a deslealdade com quem teve coragem em defendê-lo no momento em que ninguém o defendia”, desabafaram.

Debandada

O movimento da Rede não é isolado entre os aliados de campanha. Apesar de não ter abandonado oficialmente a coligação, o PDT liberou os filiados para apoiar Ibaneis no segundo turno da eleição. E atualmente, a maior parte da militância e das lideranças regionais apoia Ibaneis ou adotou uma postura de independência nas urnas.

O deputado distrital reeleito Reginaldo Veras (PDT) adotou uma posição de independência. Na leitura do parlamentar, o isolamento de Rollemberg é fruto das decisões políticas do próprio governador. “Ele se isolou quando ignorou os verdadeiros aliados de primeira hora. E ainda construiu uma base falsa, uma base fake na Câmara Legislativa”, apontou.

Oportunismo

O cientista político Valdir Pucci julga que o movimento da Rede é oportunista. “Acho que a Rede está surfando na popularidade de Ibaneis. Neste momento em que a vitória é quase certa, está abandonando o barco de Rollemberg. Vejo como um oportunismo do partido. Uma vez que estamos a poucos dias da eleição. O momento torna a decisão oportunista”, explicou.

Segundo o especialista, o movimento reforça a capacidade de aglutinação de Ibaneis. Especialmente pelo fato do partido ser de centro-esquerda enquanto o emedebista é um novo representante da centro-direta.

Saiba Mais

Pela análise de Valdir Pucci, a capacidade de aglutinação pode ser um sinal de que Ibaneis terá facilidade nas futuras relações com a Câmara Legislativa, caso seja mesmo eleito em 28 de outubro.

Contudo, Pucci ressaltou que o estreante de urnas é filiado no MDB, um dos partidos mais fisiológicos da cena política. “Ele não está livre das amarras do MDB”, enfatizou.

O cientista político discorda do diagnóstico de Veras para o isolamento do governador. Para Pucci, Rollemberg tentou erguer pontes. Mas as forças políticas da cidade o rejeitaram pela percepção de que seu governo seria péssimo.

Nas urnas de 7 de outubro, a Rede elegeu Leandro Grass para o cargo de deputado distrital.

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