A ameaça de esvaziar o plenário da Câmara Legislativa não foi cumprida pelo grupo dos 13 — os deputados que se reuniram na semana passada com o objetivo de não aprovar matérias votadas pelo Buriti, incluindo o aumento dos servidores. Os dissidentes descumpriram o trato e votaram, ontem, o reajuste salarial de três das 22 carreiras que tiveram projetos de lei enviados pelo Executivo à Câmara.
Todos os projetos estavam nas mãos da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), última instância antes da votação em Plenário, mas apenas os relatados pelo distrital Chico Leite (PT), que é presidente da CCJ, ficaram prontos a tempo. Os demais deverão ser apreciados em sessão extraordinária da comissão, marcada para hoje.
O que passou
Só os reajustes das carreiras de atividades do Hemocentro, das carreiras de auditor e controle interno do Distrito Federal e dos procuradores e defensores públicos foram votados e aprovados em dois turnos.
Servidores de outras carreiras que estavam na pauta da CCJ e não tiveram seus projetos apreciados protestaram nas galerias e por várias vezes vaiaram deputados da base governista, como o deputado Chico Vigilante (PT), que defendia a atuação do governador Agnelo Queiroz. “Nunca um governo deu tanta atenção aos servidores públicos como tem feito o governador Agnelo”, argumentou o distrital, para em seguida ser vaiado novamente pela plateia.
Por duas vezes, o presidente da Câmara Legislativa, Wasny de Roure (PT), precisou intervir e pediu à plateia respeito quando os governistas falavam.
Entregou geral
Mesmo sob gritos constantes a votação seguiu e, em dois turnos, por volta das 19h, foram aprovados os reajustes só das três carreiras.
Com a pressão nas galerias para que projetos do pacote enviado pelo Buriti entrassem em discussão, o presidente da CCJ, Chico Leite, resolveu revelar com quem estava cada uma das matérias. Expôs os parlamentares de sua comissão.
Eliana Pedrosa (PSD), Robério Negreiros (PMDB), Cláudio Abrantes (PT) e Aylton Gomes (PR) acabaram em uma saia-justa com os funcionários que passaram a pressioná-los.
Derrubadas emendas da oposição
Além dos reajustes, foi votada a aberturas de créditos para execução do GDF. O desacordo entre base e oposição começou com a votação do crédito suplementar de R$ 45 milhões destinados a cobrir gastos com passe livre para portadores de deficiência e estudantes.
A deputada Eliana Pedrosa protestou contra os colegas, que não pediram ao governo explicações sobre denúncias de mau uso dos cartões, mas foi voto vencido.
Sem creches
O segundo embate ocorreu quando emendas de Eliana foram derrubadas do projeto de crédito suplementar de R$ 112 milhões para o pagamento de servidores: “Entre as minhas emendas havia recursos para a Apae-DF, verba para a construção de creches, e até para a compra de marcapasso diafragmático para uma criança que precisa doe aparelho”, conta a oposicionista, que completa: “Eu me entristeço quando vem ordem do outro lado da rua — o Buriti — e os deputados acolhem, sem uma análise sequer”.
Saiba Mais
Após protestos da distrital Eliana Pedrosa, a líder do governo Arlete Sampaio (PT) alfinetou a adversária: “Faz parte do jogo político da oposição espernear para ganhar espaço. É do jogo político, já que as eleições estão ai”.
O petista Chico Vigilante também comentou a fala da oposicionista: “Todos nós, da base, ficamos sem nossas emendas. Nós não somos um puxadinho do Buriti”.
Segundo Vigilante, Eliana e Celina Leão (PSD) estiveram presentes na reunião de líderes, e concordaram com a derrubada das emendas para que os R$ 112 milhões — custo do reajuste —fossem para folha de pagamento dos servidores.