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Política & Poder

Reajuste escalonado Bomba-relógio no Buriti

Arquivo Geral

05/09/2013 9h21

Uma bomba-relógio está sendo armada pelo Buriti, na Câmara Legislativa, para estourar nas mãos de quem estiver no governo a partir de 2015. Na última sexta-feira, o GDF enviou para a Casa proposta de reajuste para 22 categorias de servidores, que será dividido em três parcelas. 

 

Os cálculos dos deputados mostram que, se aprovados pelos parlamentares no modelo que estão, causarão um impacto total de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.

 

Terceira parcela

 

A proposta, que teve a votação adiada para terça-feira da semana que vem, é dar ainda em setembro a primeira parcela aos servidores, no valor de R$ 184 milhões. A segunda, que soma R$ 699 milhões, seria paga em setembro de 2014, às vésperas das eleições, em que provavelmente o governador Agnelo Queiroz será candidato à reeleição, o que poderá atrair votos para o chefe do Executivo, que não tem se apresentado bem nas pesquisas.

 

O problema está na terceira parcela. De acordo com o projeto, o próximo governo terá de assumir um impacto de R$ 1,2 bilhão, referente à última parcela do acordo.

 

Segundo a deputada Liliane Roriz (PSD), o projeto enviado pelo Buriti deveria ter sido votado já na terça-feira passada, sem prazo para discussão com as categorias, passando rapidamente pelas comissões e enviados ao Plenário.

 

“Com toda essa pressa não há tempo hábil para discutir com as categorias, que tiveram que engolir goela abaixo o que o governo quis oferecer. 

 

Ou isso, ou nada

 

“Ou era isso ou não era nada”, afirma Liliane, que questiona: “Será que os servidores sabem quanto vão ganhar de reajuste? Que acordo foi esse que ninguém sabe?”. Ela cobra mais informações. 

 

Distritais sabotam as votações

 

Desde o dia 20 de agosto o Plenário da Câmara Legislativa não vota nenhum projeto por falta de quórum. Mesmo com pautas na Ordem do Dia na Casa, como a legalização do Buritizinho, os parlamentares não têm comparecido em número suficiente e itens importantes para a população têm ficado sem apreciação dos distritais.

 

Ontem, um grupo de 13 deputados se reuniu no almoço para estudar fórmulas que neguem quórum à votação de projetos vindos do Executivo. “Não houve quórum hoje (ontem) e não haverá amanhã (hoje). Não aceitamos ser puxadinho do Buriti, que quer aprovação em plenário de projetos que são enviados  sem ao menos conhecer nossa opinião”, afirma um distrital que esteve no encontro.

 

Hora de pressionar

 

 O objetivo do grupo é pressionar o Executivo para que ele atenda  os acordos que foram feitos há pelo menos um ano. “O governo tem prometido espaço político e não cumpre sua palavra. Se todos têm o mesmo peso na votação, porque alguns tem mais espaço do que outros?”, questiona o parlamentar.

 

De acordo com ele, o movimento não possui lideranças e está preocupado com projetos importantes para a sociedade. Porém, ele não irá expor a Câmara à aprovação de propostas sem consulta à população. Seria o que ocorre  com as categorias que receberão reajustes, que sequer foram convidadas ao diálogo.

 

Queixa dos servidores

 

O Poder Executivo pretende atender 22 carreiras de servidores públicos.

 

Segundo a distrital Liliane Roriz, muitas delas sequer foram consultadas ou chamadas para conversas e outras, como a dos Especialistas em Saúde, que já haviam negociados acordos, todos  descumpridos pelo Buriti, e  não serão contempladas.

 

Associação dos Especialistas em Saúde do GDF afirma que eles deveriam ter recebido este mês a Gratificação de Apoio Técnico-Administrativo (Gata), mas o acordo foi quebrado em favor de outros profissionais da saúde.

 

 Outros reajuste serão dados de forma desproporcional, já que muitas carreiras não têm suas atividades regulamentadas e acabam não recebendo por elas.

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