Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com
O subsecretário de Educação Básica da Secretaria de Educação (Subeb) do Distrito Federal será exonerado a pedido do gestor Rafael Parente. Conforme apurou a reportagem, a decisão foi tomada depois que o Sérgio Elias escreveu um parecer técnico sobre impactos da intervenção militar nas escolas. O texto foi publicado no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Dentro da pasta, a ordem é clara: decisões não devem ser contrariadas.
Por volta de 11h30 desta sexta-feira (25), o secretário Rafael Parente chegou a publicar um recado em sua conta no Twitter. “Mudanças na SUBEB. É preciso que todos compreendam q não há mais espaço para deslealdade, desrespeito, fofoca, rebeldia, atitudes vaidosas ou egocêntricas. Jogar em time é tão importante quanto ser íntegro e competente”, dizia a mensagem.

Pouco depois, apagou o texto e fez uma nova versão mais branda: “Estamos fazendo algumas mudanças na estrutura. Precisamos que compreendam (especialmente nas sedes e nas CREs – Coordenações Regionais de Ensino) q não há mais espaço para deslealdade, desrespeito, fofoca, rebeldia, atitudes vaidosas ou egocêntricas. Jogar em time é tão importante quanto ser íntegro e competente”, afirma a postagem que ainda está disponível no microblog.
“Além disso, não estamos aqui para implementar projetos pessoais, mas para SERVIR ao público, à sociedade do Distrito Federal. Faremos o que a sociedade deseja. E ela espera mudanças, ao invés de mais do mesmo. Por fim, reitero: cumpriremos todas as determinações do Governador”, continuou Parente.
Estamos fazendo algumas mudanças na estrutura. Precisamos que compreendam (especialmente nas sedes e nas CREs) q não há mais espaço para deslealdade, desrespeito, fofoca, rebeldia, atitudes vaidosas ou egocêntricas. Jogar em time é tão importante quanto ser íntegro e competente.
— Rafael Parente (@Rafael_Parente) 25 de janeiro de 2019
Além disso, não estamos aqui para implementar projetos pessoais, mas para SERVIR ao público, à sociedade do Distrito Federal. Faremos o que a sociedade deseja. E ela espera mudanças, ao invés de mais do mesmo. Por fim, reitero: cumpriremos todas as determinações do Governador.
— Rafael Parente (@Rafael_Parente) 25 de janeiro de 2019
O texto do subsecretário diz que o projeto fere leis e portarias já existentes e apresenta outras propostas. Na sede da pasta, a informação é que o secretário teria recebido ordens de exonerar todos que estiveram envolvidos em discordâncias da implementação do modelo de gestão escolar que contará com a participação de policiais militares. A subsecretaria é responsável por definir, elaborar, implantar, acompanhar e implementar políticas, diretrizes específicas e orientações relacionadas ao trabalho pedagógico desenvolvido nas etapas e nas modalidades da Educação Básica na Rede Pública de Ensino do DF.
O parecer técnico feito sem falar com o secretário ou outros integrantes da equipe e teria sido a gota d’água da permanência do subsecretário na pasta. Conforme apurou a reportagem, o nome de Sérgio Elias já esteve envolvido em ações classificadas como anti-profissionais. Integrante da equipe, a professora Jackeline Domingues assumirá o posto. Procurada, a assessoria de imprensa da pasta informou que a mudança é normal e esperada para adequações ao projeto.
Escolas militares
No dia do lançamento do SOS Segurança, Rafael Parente, explicou que a ação da Polícia Militar nas escolas funcionará em podemos de parceria. “São 25 militares por escolas, mas eles não entram na parte pedagógica, somente na disciplinar, para organizar a escola e acalmar os alunos para que possam fazer um bom trabalho”, disse. O convênio prevê inclusive ações no contraturno, com trabalho de esportes e música.
“Não são policiais que sairão das ruas para ir para as escolas”, garantiu. O custo, de R$ 800 mil, sairá da pasta da segurança. As escolas com o convênio não foram divulgadas, mas a escolha foi baseada nos índices de desenvolvimento humano e de educação básica. “Precisamos acompanhar o programa, o custo, o impacto na aprendizagem. Dando certo, a intenção é ampliar”, afirmou.
As escolas que receberão o novo modelo de forma piloto são: Centro Educacional 1 da Estrutural, Centro Educacional 3 de Sobradinho, Centro Educacional 7 de Ceilândia, Centro Educacional 308 e do Recanto das Emas. A previsão é que seja ampliado para 40 colégios até o fim do ano.