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Política & Poder

Raad diz que não desviou verba

Arquivo Geral

16/08/2013 8h20

Ameaçado de cassação, o deputado Raad Massouh (PPL) apresentou sua versão à Comissão de Ética e mostrou documentação para confrontar com os depoimentos sobre as supostas irregularidades em um show em Sobradinho. 

Ao falar por mais de uma hora aos parlamentares, Raad mostrou uma lista com todos os bens que possui, a maior parte em nome da empresa que possui, o RM Hotel Fazenda. O parlamentar voltou a afirmar que não teria relação com a maneira como a emenda, de sua autoria, foi gasta e negou que tenha exercido influência sobre os funcionários da Administração Regional.

Segundo Raad, a emenda para o evento de promoção do turismo rural teria sido destinada inicialmente à BrasíliaTur. Depois que o órgão foi extinto, a verba acabou sendo direcionada a Sobradinho e o Sindicato de Turismo Rural foi beneficiário de parte dos R$ 100 mil para que o evento fosse realizado.

 

Comemorou 

 

O deputado admitiu ter comemorado a saída do delegado Flamarion Vidal da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Decap). 

Raad negou que tenha atuado para que houvesse a exoneração e reprovou a postura do delegado. “O fato é que o doutor Flamarion agiu na condução do inquérito exatamente como agiu aqui na terça-feira, fazendo ironias, levantando suspeitas infundadas de dados sigilosos”, disse Raad.

O ex-administrador de Sobradinho, Carlos Augusto Barros admitiu ter errado, mas negou que tenha tido má fé no processo de liberação de verbas da emenda de Raad.

 

Foi “desconhecimento”


“Se dentro do processo eu tenho algum tipo de erro, eu respondo sim, administrativamente, talvez até por desconhecimento da máquina pública, talvez por ter só três meses de administração na época”, reconheceu.

O presidente da Comissão de Ética, Doutor Michel (PEN), chegou a dizer que Carlos Augusto Barros estaria “sob tortura” quando foi interrogado pela Decap. Em depoimento à Polícia Civil, ele teria dito que houve pressão de Raad, enquanto na oitiva na Câmara Legislativa disse que não foi pressionado.

 

 

Denúncia de suborno pouco antes da reunião

Quando iniciou os trabalhos de ontem, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, deputado Doutor Michel (PEN), denunciou uma visita que tentou fazê-lo mudar de postura no caso, mas, segundo ele próprio, o suposto corruptor foi retirado de seu gabinete. A figura seria desconhecida por ele e lhe  teria dito que haveria “coisas boas em sua vida”, caso acatasse à proposta.

Doutor Michel chegou a noticiar o acontecido. “Quero deixar bem claro que não existe corrupção comigo. Tenho 30 anos de serviço público, dos quais, não tem nada que macule minha imagem e não vai ser aqui na Câmara que vão sujar minha imagem e vão tentar me corromper”, avisou.

 

Circuito interno

Com a fala de Doutor Michel, o deputado Patrício (PT) sugeriu que as imagens do circuito interno de TV da Câmara fossem analisadas para que a pessoa fosse identificada. No entanto, o assunto não foi mais mencionado durante a reunião da comissão.

Também questionado sobre visitas misteriosas ou tentativas de propina, o deputado Joe Valle negou também ter sido procurado por corruptores.

 

Contradições por causa do tempo


Segundo o relator do processo, deputado Joe Valle (PSB), os depoimentos foram satisfatórios para que o documento final seja apresentado no prazo. Para ele, não foram deixadas lacunas na explicação do caso. “O presencial é sempre muito importante. Algumas contradições aconteceram. Logicamente, é muito tempo e pode acontecer um esquecimento. Tudo o que foi colocado aqui já constava nos autos, com algumas contradições que temos que esclarecer para não cometer nenhuma injustiça”, afirmou. Depois da sessão, foi anunciado o prazo para a  defesa apresentar sua versão, até a próxima segunda-feira. Já o relatório final sobre o caso deve ser apresentado até a quinta-feira, dia 21.

 

Saiba mais

* Quando Raad falava, o distrital Patrício mostrou impresso recente do site do Sindicato de Turismo Rural do DF com uma foto do RM Hotel Fazenda como um dos associados.
 
* Raad rebateu dizendo que o RM deixou o ramo hoteleiro. Agora é  clínica de recuperação de dependentes químicos.

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