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Política & Poder

Questão de explicitar

Arquivo Geral

08/05/2009 0h00

Delúbio Soares bem que tentou voltar. Pediu inscrição para tentar a vaga de deputado federal por Goiás, viagra order mas, dosage ontem, more about desistiu, alegando que não queria causar constrangimentos ao PT. Estranho, porque muitos dos seus companheiros – ou seriam ex-companheiros? – defenderam a volta à política; alguns até mesmo afirmaram que não podia ser condenado à desgraça e ao alijamento para a vida inteira.

Seu desejo de voltar à vida pública é tão chocante quanto aquele deputado boquirroto que disse estar “se lixando para a opinião pública”, que quanto mais batem na classe política, mais os mesmos se elegem. Aliás, a pretensão de Delúbio é a mesma coisa, só que com outras palavras: ele também está se lixando para a opinião pública. A grande aposta dos políticos é justamente em cima da pouca seriedade que o brasileiro dá ao voto. Daí porque o
ex-tesoureiro petista achou que, depois de ter sido tragado pelo mensalão, estava limpo para voltar à vida pública.

O gesto de Delúbio e do deputado Sérgio Moraes é somente a explicitação daquilo que boa parte do baixo clero pensa. Esse tipo de parlamentanão é baixo clero por acaso: está ali para fazer lobby dos seus financiadores de campanha e levar o mandato o mais discretamente possível. Líder, cacique, tem visibilidade demais, responsabilidade demais. Isso não interessa. A
turma das torrinhas quer votar com a bancada quando o preço é bom, quando a emenda será atendida. É geralmente governo e gostosamente serve de massa de manobra quando o Palácio do Planalto não o atende.

A maior parte dos deputados não tem compromisso com nada, a não ser consigo mesma. Daí os absurdos com as passagens aéreas que deveriam servir apenas ao parlamentar; a boca-livre de ir a Israel, justamente quando o papa Bento XVI lá desembarca, a título de conhecer técnicas de segurança e inteligência; os gastos com traslado da namorada, da mulher, da amante, da sogra, da mãe, dos filhos, de sindicalistas, de amigos, de laranjas, de lobistas; os castelos
erguidos em meio à pobreza e modéstia de São João Nepomuceno, no interior de Minas. Daí a falta de transparência, o comportamento esquivo de quem não está na Câmara para legislar.

Os bobos trabalham pela comunidade, têm compromisso com a opinião pública, se interessam pela sociedade. Os grandes espertos, os malandros, os cínicos… esse arranjam sempre uma maneira de se lixar para o cidadão-contribuinte-eleitor. Explicitamente ou não.

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