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Queiroga evita falar sobre cloroquina e diz que falas de Bolsonaro não impactam no combate à covid

Perguntado se concorda com Bolsonaro sobre o uso do medicamento, o ministro disse que não faria “juízo de valor”

Por Willian Matos 06/05/2021 11h39
Marcelo Queiroga Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, evitou falar abertamente sobre cloroquina e a recomendação do medicamento contra a covid-19. Ouvido pela CPI da Covid nesta quinta-feira (6), Queiroga evitou falar se concorda com o presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, que promoveu o remédio por várias vezes, mesmo não tendo eficácia.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), perguntou a Queiroga se ele compartilha das opiniões de Bolsonaro quanto ao uso do medicamento. O ministro esquivou-se, declarando que é necessário embasamento técnico para responder o questionamento. “Não faço juízo de valor”, disse.

O ministro disse ainda que não autorizou distribuição de cloroquina a estados e municípios. “Não autorizei e não tenho conhecimento de que esteja havendo distribuição de cloroquina na minha gestão”.

O embate de Renan continua. Em outra pergunta, o senador relembrou declarações de Bolsonaro contra o isolamento social e a vacinação contra a covid-19 e perguntou a Queiroga qual o impacto das falas do presidente no enfrentamento à doença. O ministro, então, respondeu:

“Essas são posições externadas pelo presidente da República que eu penso que não tem impacto na campanha de vacinação. Mais de 85% [da população] em pesquisas mostram que querem receber a vacinação.”

Por vezes, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), aconselhou Queiroga a responder de forma objetiva, uma vez que o ministro está na comissão na posição de testemunha. Os demais senadores ainda vão fazer perguntas, e a sessão se estenderá pela tarde.

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O tema “cloroquina” foi amplamente debatido na quarta (5), quando foi ouvido o ex-ministro Nelson Teich. O médico oncologista admitiu que saiu do Ministério porque Bolsonaro queria recomendar a cloroquina, o que ele não concordava, já que nada prova que o medicamento é eficaz contra a covid.






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