Menu
Política & Poder

Quais investigações pesam contra Flávio Bolsonaro?

Senador teve passaportes cancelados após descumprir ordem do STF e deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos

Redação Jornal de Brasília

28/10/2026 15h29

flavio bolsonaro

Foto: Daniel Ramalho/AFP

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu para os Estados Unidos após perder o segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é alvo de várias investigações judiciais no Brasil.

Seus passaportes brasileiros, incluindo um diplomático, foram cancelados na terça-feira, após ele descumprir uma ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para entregá-los. Moraes é considerado um inimigo pelo bolsonarismo.

Ele havia dito que atenderia ao pedido. Anunciou que lideraria a oposição ao governo Lula, embora sem reconhecer a derrota nas urnas.

Na madrugada desta quarta-feira (28), partiu da Argentina rumo aos Estados Unidos.

A seguir, as investigações que pesam sobre o senador, que se declara vítima de perseguição política e perderá o foro privilegiado quando seu mandato terminar, no fim de janeiro.

– Possível lavagem de dinheiro –

O Supremo abriu uma investigação policial por suspeita de lavagem de dinheiro contra Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, a quem o senador reconheceu como amigo.

Foi no âmbito desse caso que Alexandre de Moraes ordenou, após as eleições, a retenção dos passaportes do senador, incluindo um italiano que ele possui, disse à AFP uma fonte da Polícia Federal (PF).

Segundo a imprensa, a polícia temia uma fuga, em parte devido a declarações de seu irmão Eduardo, que mora nos Estados Unidos e defendia que ele deixasse o Brasil caso perdesse as eleições.

A polícia suspeita que Bolsonaro e Tomaz eram sócios em empresas e que o senador tinha acesso pleno a uma conta bancária de uma delas.

Tomaz se estabeleceu nos Estados Unidos após ser alvo, em agosto, de uma operação que investigava o desvio bilionário de recursos de aposentados e pensionistas por meio de descontos associativos e sindicais indevidos e não autorizados, segundo a imprensa.

Cerca de 9 milhões de beneficiários sofreram algum tipo de cobrança indevida, em uma fraude que soma bilhões de reais.

– Um filme biográfico sobre o pai –

O caso mais conhecido gira em torno de “Dark Horse”, um filme biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentar dar um golpe de Estado em 2022, após perder as eleições para Lula.

Em maio, o site Intercept Brasil revelou gravações de áudio nas quais Flávio Bolsonaro negociava cerca de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões) para financiar o filme com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso em um enorme caso de fraude financeira.

No fim de julho, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça ordenou investigar esse financiamento.

A Justiça apura se houve corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Flávio admitiu ter pedido o dinheiro, mas garantiu que não há nada de ilegal, por se tratar de recursos “privados”.

– Financiamento estrangeiro da campanha –

O ministro do STF Flávio Dino ordenou nesta terça-feira que a polícia investigue um possível financiamento estrangeiro da campanha de Flávio.

Dino solicitou investigar a “possível origem, circulação e destino de recursos estrangeiros” e outras formas de suposta interferência eleitoral, como “manipulações” nas redes sociais.

Durante a campanha, Lula denunciou uma suposta interferência da Meta nas eleições brasileiras em favor de seu adversário.

A empresa americana, proprietária do Facebook, do WhatsApp e do Instagram, nega as acusações, mas reconheceu erros, como a desativação de anúncios da campanha de Lula por motivos técnicos.

– O precedente das “rachadinhas” –

Antes de ingressar na política nacional, Flávio já havia protagonizado outro escândalo que perseguiu sua família.

Em 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro o acusou de praticar “rachadinha”  – que consiste em ficar com parte dos salários de seus assessores – quando era deputado estadual.

Segundo os promotores, parte do dinheiro que recebia era lavada por meio de uma loja de chocolates da qual era sócio.

O caso desmoronou em 2021, quando um tribunal superior anulou as provas obtidas durante a investigação. A denúncia foi arquivada em 2022.

AFP

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado