O PSL reafirmou hoje (12) que o partido mantém a decisão de não lançar candidato à Presidência da República. A polêmica surgiu no sábado (10), quando Américo de Souza – escolhido em convenção como candidato à Presidência pela legenda e cuja candidatura foi descartada posteriormente – fez seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em nota, o partido afirmou que o pedido de registro é um direito conferido pela legislação eleitoral, mas que “a decisão da executiva nacional do PSL está mantida e agora o partido aguardará a manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para, caso seja necessário, tomar as medidas cabíveis”.
Para o secretário nacional do partido, Roberto Siqueira, não há como o TSE deferir a candidatura, pois no último dia 3 de julho o PSL registrou uma ata no tribunal com a decisão que informava à Justiça Eleitoral que a legenda não teria candidato próprio. “Sempre falávamos em nossas reuniões que somente duas coisas impediriam uma campanha presidencial: problemas com a verticalização da campanha e falta de estrutura”.
Segundo Siqueira, apesar de a estrutura não ter sido definida até o começo de julho, o maior problema para impedir a candidatura de Américo foi a recente resposta do TSE a uma consulta sobre propaganda partidária. O tribunal decidiu que coligações nacionais não poderiam se repetir em nível estadual para fins de propaganda eleitoral, o que prejudicaria diretamente a participação de presidenciáveis nas campanhas regionais. Entretanto, o próprio tribunal recuou e decidiu deixar a questão para ser resolvida somente em agosto.
Um dos exemplos de problemas que resultariam da candidatura de Américo, caso o TSE mantenha a decisão, está na corrida eleitoral em São Paulo. O PSL apoia a candidatura de Paulo Skaf (PSB), que nacionalmente está coligado à chapa encabeçada pelo PT e PMDB. Com a decisão do TSE, Dilma Rousseff (PT) não poderia aparecer na campanha da coligação.
Siqueira também disse que a decisão de Américo “não soou bem dentro do partido”. “Ele mesmo havia mandado um email falando que não iria ter esse tipo de atitude. Agora vários presidentes estaduais estão me ligando chateados”, afirmou. No entanto, segundo o secretário nacional do PSL, nenhuma atitude será adotada internamente enquanto o TSE não se posicionar sobre o assunto.
Américo exerceu vários mandatos como deputado federal (1963 a 1964 e 1966 a 1975) e a última atuação no Congresso Nacional foi como senador (1985 a 1986). Ele declarou ter um patrimônio de R$ 696 mil, constando a participação na empresa Turimar Imobiliária, avaliada em R$ 535 mil. Seu vice é Gilberto de Souza Leal Junior.