JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS
O Ministério Público Federal abriu uma investigação para apurar se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, divulgou em entrevista informações sigilosas da Operação Sem Desconto, sobre suspeitas de fraudes em descontos associativos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
A abertura da apuração foi publicada no Diário Oficial do Ministério Público Federal desta segunda (19).
Em entrevista dada ao site ICL Notícias após a primeira fase da Sem Desconto, em abril do ano passado, Andrei disse que José Ferreira da Silva, o Frei Chico, não foi um dos alvos da operação. Frei Chico é irmão do presidente Lula (PT) e é vice-presidente de um dos sindicatos investigados no caso.
A assessoria de imprensa da PF foi procurada para responder por Andrei Rodrigues, mas decidiu não se manifestar.
A declaração de Andrei motivou um pedido de abertura de ação de improbidade na Procuradoria da República no Distrito Federal. O procurador do caso, no entanto, pediu o arquivamento do caso.
“As informações divulgadas, conforme se extrai dos autos, limitavam-se à circunstância de que o sindicato e os gestores dele não haviam sido alvo de mandados de busca e apreensão na fase ostensiva da Operação Sem Desconto”, disse o procurador da República Gabriel Pimenta, no pedido de arquivamento.
“Cuida-se, portanto, de informação não sigilosa relacionada a medidas já realizadas no âmbito da operação, não havendo indicação de que a manifestação tenha antecipado diligências futuras, revelado estratégias investigativas ou comprometido providências ainda pendentes.”
O procurador também disse que a divulgação da informação não apresentava risco à segurança da sociedade ou do Estado, e que isso seria necessário para configurar hipótese de improbidade administrativa.
“A divulgação de informação sobre a inexistência de busca e apreensão contra determinados investigados referente a medidas já realizadas, não evidencia, por si só, circunstância capaz de comprometer a segurança pública ou estatal, ou que tenha havido beneficiamento pessoal do representado.”
A 7ª Câmara de Coordenação e Revisão, um dos órgãos de cúpula do Ministério Público Federal, não validou o arquivamento.
Conforme o órgão, é necessário “a oitiva ou esclarecimentos do representado [Andrei] e das instâncias responsáveis quanto às razões da divulgação anterior à decisão de levantamento do segredo [do caso do INSS]”.
Com a decisão da Câmara de Coordenação e Revisão, a apuração foi aberta e Andrei Rodrigues será ouvido sobre as declarações. Depois, o Ministério Público decidirá se prossegue com a investigação ou se o caso será arquivado.
Frei Chico é vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), uma das entidades sob suspeita no caso dos descontos irregulares em benefícios previdenciários.
Em outubro do ano passado, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça bloqueou R$ 389 milhões do sindicato e de dirigentes da entidade, em uma das decisões da investigação.
Procuradoria investiga se chefe da PF divulgou dados sigilosos sobre irmão de Lula no caso INSS
Investigação foi aberta após declaração do diretor-geral da PF sobre Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT) e vice-presidente de um dos sindicatos investigados no caso
Frei Chico, irmão mais velho do presidente Lula. Foto: Divulgação/Instituto Lula