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Política & Poder

Políticos de direita criticam desfile pró-Lula no Carnaval carioca

Michelle cita alegoria sobre Bolsonaro preso; Nikolas diz que, se fosse em 2022, presidente seria preso

Redação Jornal de Brasília

16/02/2026 5h57

lula, eduardo paes

Presidente Lula e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, acompanham o desfile da Acadêmicos de Niterói. – Foto: AgNews

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A apresentação da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro neste domingo (15) foi alvo de críticas por políticos de direita.

Parcialmente financiado com verba federal, o desfile enalteceu a trajetória do petista e retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço. Lula acompanhou do camarote, junto à primeira-dama Janja, que não desfilou como estava previsto. Em um momento, desceu até a avenida, com o prefeito Eduardo Paes, para cumprimentar integrantes da escola.

A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) compartilhou vídeo de uma das alegorias do desfile que mostra um palhaço com tornozeleira eletrônica atrás das grades e escreveu: “Quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião”.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) escreveu que se o desfile fosse em 2022, Bolsonaro estaria preso. “[Haveria] busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e inelegibilidade vitalícia”, disse.

Mais cedo, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) divulgou vídeo feito com inteligência artificial que simula um samba-enredo chamando Lula de ladrão.

O vídeo mistura imagens de carnavalescos na avenida com montagens do presidente vestido de presidiário, e fotos de Janja e da ministra da Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou a caracterização dos eleitores conservadores feita no desfile. “Eles serão banalizados para o Brasil inteiro por um bloco financiado com dinheiro do governo federal”, disse.

Assim como Flávio, Zema compartilhou paródia do desfile intitulada “cadê minha picanha?”, também feita com inteligência artificial. “Mensalão na avenida, compra de voto no ar”, diz o material.

A apresentação da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula também sofreu contestação de outros setores da direita, que ajuizaram uma série de ações tentando barrar o desfile.

No último dia 12, o TSE rejeitou impedir o samba-enredo após denúncia dos partidos Novo e Missão. Na ocasião, a ministra Cármen Lúcia afirmou que há um “risco muito concreto, plausível, de que venha acontecer algum ilícito” na apresentação deste domingo.

Também em fevereiro, deputados do Partido Novo pediram que o TCU (Tribunal de Contas da União) aplicasse multa de R$ 9,65 milhões aos responsáveis pelo enredo. Antes, o tribunal havia negado pedido do partido para barrar o repasse de verbas públicas para o desfile.

A Embratur empenhou um total de R$ 12 milhões para todas as escolas de samba do grupo de elite do Carnaval carioca. Desse montante, R$ 1 milhão foi pago à escola que homenageia o petista.

A apresentação da Acadêmicos de Niterói contou a história de vida do presidente, começando com a infância pobre no estado de Pernambuco, passando pela mudança para São Paulo, na década de 50, e a vida como líder sindical, antes de ser eleito presidente.

“Por ironia, 13 noites, 13 dias, me guiou Santa Luzia, São José Alumiou, da esquerda de Deus pai, da luta sindical, à liderança mundial”, diz a música composta por Teresa Cristina e outros sambistas, numa referência ao número de urna do PT.

Na apresentação deste domingo, o ator e comediante Paulo Vieira interpretou Lula, e as atrizes Juliana Barone e Dira Paes interpretam a primeira-dama Marisa Letícia (1950-2017) e a mãe do presidente, dona Lindu (1915-1980), respectivamente.

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