Ao todo 98 servidores da segurança pública, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), são candidatos ao pleito de outubro. O elevado número de aspirantes pode fragmentar os votos de bombeiros, policiais militares e civis, além de ameaçar os planos dos candidatos à reeleição que chegaram à Câmara Legislativa com votos da categoria.
O principal impasse entre os servidores da segurança e os atuais representantes seria a falta de empenho dos parlamentares em relação à reestrutura das três carreiras. Foi por isso que se criaram grupos como o Chapão Militar formado em sua maioria por PMs e o Ideal Coletivo, de bombeiros,
Há oito anos na Câmara Legislativa, o bombeiro Aylton Gomes (PR) acredita que ainda tem o apoio da tropa e aposta no histórico e na experiência adquirida dentro da Casa para se reeleger. “Temos um histórico de trabalho tanto pelo Bombeiro quanto pela PM. Não vejo um racha na corporação. Se existe não é uma vontade dela, mas de um jogo político por trás disso”, afirma Aylton, que foi criticado pelos próprios companheiros de farda, quando houve a Operação Tartaruga no final do ano passado.
Não é com eles
Doutor Michel (PP) tenta o segundo mandato consecutivo e explica que pouco pode ser feito pelo distritais para que as reivindicações dos servidores da segurança sejam atendidas, já que não compete ao Legislativo local autorizar mudanças. “Como parlamentar fiz tudo o que era possível pela reestruturação das carreiras. Porém, a função do distrital é restrita, porque tudo vem do Governo Federal”, pondera o ex-delegado de Sobradinho, que destaca: “Policial satisfeito é bom em serviço e para a população”.
Ex-diretor do sindicato da Polícia Civil, Wellington Luiz (PMDB) afirma que dentro da corporação poucos candidatos têm o apoio dos próprios agentes.
“Na eleição passada, o número de candidatos já era grande, mas dentro da própria corporação são poucos os que têm votos do ‘canas’. Muito deles se destacam pelos cargos que tiveram, como é o caso do Doutor Michel, do Fernando Fernandes (PRTB) e do Cláudio Abrantes (PT), e conseguem a maioria dos votos nas comunidades por onde passaram. Na hora do voto, o ‘cana’ acaba votando em quem sempre esteve com ele”, diz Wellington, que só vê a si e a Laerte Bessa (PR), candidato a federal, com votos dentro da Polícia Civil.