Menu
Política & Poder

Polícia pede ao TJ autorização para investigar deputado após tiro em casa noturna de SP

O parlamentar de 53 anos foi detido por policiais militares após disparo de arma de fogo no Santo Cupido, uma casa noturna na zona oeste de São Paulo

Redação Jornal de Brasília

20/10/2026 22h19

marcelo aguiar

Foto: Reprodução

PAULO EDUARDO DIAS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A Polícia Civil de São Paulo encaminhou ao Tribunal de Justiça um ofício em que solicita autorização para investigar o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL).


O parlamentar de 53 anos foi detido por policiais militares após disparo de arma de fogo no Santo Cupido, uma casa noturna na zona oeste de São Paulo. O fato ocorreu na madrugada de segunda-feira (19). O apresentador Fred Bruno, que estava no local, foi atingido no pé, sem ferimentos graves.

Aguiar possui foro por prerrogativa de função e, por isso, foi necessário o envio de documentos para análise do Órgão Especial do Tribunal de Justiça. O recebimento do material foi confirmado pelo Tribunal de Justiça nesta terça-feira (20).


A reportagem procurou o advogado do deputado por mensagem, mas não houve resposta nesta terça.
Se houver anuência dos desembargadores, a investigação deve ser tocada pela 3ª Delegacia Seccional, localizada no mesmo prédio do 14º DP (Pinheiros), onde a ocorrência foi registrada inicialmente.


Além do registro da ocorrência, a Polícia Civil já ouviu o próprio deputado, um representante da casa noturna e uma testemunha. Os investigadores também buscam acesso a imagens de câmeras de segurança.


O parlamentar disse se lembrar de ter se sentido mal em alguns momentos, o que atribui a medicamentos ingeridos previamente. O depoimento foi dado na presença do advogado do parlamentar.


Segundo o deputado, ele passou por revista ao entrar no estabelecimento e não soube precisar quanto tempo ficou no bar. Sobre o tiro, disse que foi chamado por uma pessoa que não conhece e, ao se virar, caiu. Foi nesse instante, disse, que ouviu o estampido.


O parlamentar afirmou que portava uma pistola Glock G42, que, conforme a Polícia Civil, está registrada em seu nome. Disse que, se houve disparo, foi acidental.


Segundo o boletim, a confusão começou depois que Aguiar incomodou pessoas no estabelecimento. O documento não especifica o tipo de importunação. Depois da abordagem, Aguiar foi algemado, conforme policiais militares, em razão de seu estado de exaltação e do receio de risco à integridade física própria ou de terceiros.


Ao chegar à delegacia, Aguiar mal conseguia se manter em pé. Vídeos gravados na porta do 14º DP, na zona oeste de São Paulo, mostram o deputado sendo amparado o tempo todo, do desembarque da viatura até a entrada em uma sala da delegacia.


O boletim de ocorrência não menciona exame de dosagem alcoólica ou toxicológico. A reportagem questionou a Secretaria da Segurança Pública na segunda-feira (19) sobre a falta de teste de embriaguez. Não houve resposta.


Conforme o Estatuto do Desarmamento, no segundo inciso do artigo 10, a autorização de porte de arma “perderá automaticamente sua eficácia caso o portador dela seja detido ou abordado em estado de embriaguez ou sob efeito de substâncias químicas ou alucinógenas”.


O professor de direito penal da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo Cláudio Langroiva diz que a autoridade policial pode oferecer o teste etílico, embora o detido tenha o direito de se recusar a fazê-lo. “Agora, a simples observação clínica não invasiva por médico do IML (Instituto Médico Legal) entendo que poderia ser feita”, disse.


Ele afirmou que a imunidade parlamentar formal “não alcança estas situações em crimes comuns”. “Todavia a discricionariedade da autoridade policial em saber ser necessário o encaminhamento ou não também prevalece e deve ser fundamentada”, acrescentou.


Mais cedo, Aguiar tinha participado de um ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na avenida Paulista, na região central de São Paulo. “Vamos para a mudança do nosso Brasil”, escreveu na legenda de uma foto publicada no Instagram durante a manifestação política.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado