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Política & Poder

Polícia encontra fazenda de bots em endereço ligado a Fernando Cerimedo

Fiscal boliviano afirmou ter localizado uma minigranja de bots em imóvel associado ao consultor político argentino, preso sob acusação de tentativa de feminicídio.

Redação Jornal de Brasília

24/08/2026 16h33

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Foto: Rodrigo Urzagasti/AFP

A polícia da Bolívia encontrou uma “fazenda de bots” — também chamada de “fazenda de cliques” — em um endereço ligado ao consultor político Fernando Cerimedo, preso em Santa Cruz de la Sierra sob acusação de tentativa de feminicídio.

Segundo o fiscal do departamento de La Paz, Luis Carlos Torrez Alarcón, a busca no local levou à descoberta de uma “minigranja de bots”. O texto também aponta que Cerimedo atuou como estrategista político em ambientes digitais de lideranças da extrema-direita e direita latino-americanas e assessorou os presidentes Rodrigo Paz, da Bolívia, Javier Milei, da Argentina, e Nasry “Tito” Asfura, de Honduras.

A reportagem lembra ainda que o empresário argentino participou da campanha de desinformação contra o resultado da eleição de 2022, questionando em audiência no Senado Federal, sem apresentar provas, a lisura do pleito brasileiro. Ele foi descrito pela revista The Economist como “o homem do MAGA na América Latina”, em referência ao slogan de Donald Trump, Make America Great Again.

Na mesma apuração, especialistas ouvidos pela Agência Brasil explicam que bots são sistemas automatizados usados para gerar curtidas, comentários e compartilhamentos, simulando perfis reais para impulsionar engajamento nas redes sociais. Reynaldo Aragon afirma que essas estruturas podem produzir artificialmente volume e velocidade nas plataformas, enquanto Alexandre Arns Gonzales diz que elas são usadas para alimentar métricas de visualização e engajamento e servir de instrumento para ataques ou defesas coordenadas.

Gonzales também afirma que práticas desse tipo exigem grande mobilização de recursos financeiros, materiais e humanos, sendo comuns em processos eleitorais e registradas em relatórios de segurança das bigtechs. Ele afirma ainda que Meta e Google caracterizam essas ações como redes de comportamento inautêntico coordenado.

A reportagem diz que o TSE passou a exigir planos de conformidade das bigtechs, o que pode ajudar a identificar e denunciar indícios de fazendas de bots. Já Reynaldo Aragon avalia que o tribunal não estaria tão preparado para enfrentar o problema e afirma que podem existir diversas fazendas de cliques no Brasil.

No desfecho da apuração, a Agência Brasil informa que tentou contato com a defesa de Cerimedo, sem retorno até o fechamento da reportagem, e que o TSE também não respondeu ao ser procurado para comentar o tema.

Com informações da Agência Brasil

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