A revista Piauí apontou nesta terça-feira (20) indícios de que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria sido sócio oculto da casa de apostas Best Bet, ligada ao advogado Willer Tomaz. A publicação cruzou registros empresariais nacionais e portugueses, dados contábeis e documentos bancários obtidos pela Polícia Federal.
A suspeita envolve as empresas Cathedral e Alcazar Holdings, ambas de propriedade de Tomaz e registradas em Portugal. A Cathedral era a única sócia registrada da Best Bet no Brasil. O auditor do fisco português ouvido pela reportagem levantou a hipótese de que a Cathedral financiou a Alcazar.
Um e-mail bancário de maio de 2025 mostrava uma conta da Alcazar identificada com o nome de Flávio Bolsonaro. Segundo a PF, o cadastro indicava “acesso operacional relevante” e sustentava a hipótese de “sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”.
A assessoria do candidato contestou a interpretação, afirmando que a vinculação era indevida e que solicitou sua retirada. A defesa de Willer Tomaz atribuiu os custos a passeios entre amigos, sem contrapartida.
A PF também identificou na documentação voos contratados pela Cathedral para Flávio Bolsonaro e familiares na Europa em 2025. O destino das duas viagens era Nice, na França.
A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar a suspeita de sociedade oculta. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz já negaram publicamente qualquer relação comercial ou financeira além da amizade.