A Polícia Federal deve rejeitar a nova proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro na última semana.
A expectativa é que a decisão seja comunicada aos advogados do controlador do Banco Master ainda nos próximos dias, possivelmente nesta terça-feira (9). Caso a recusa seja confirmada, será a segunda negativa à proposta de delação apresentada por Vorcaro em menos de um mês.
Em maio, a primeira tentativa de colaboração foi descartada pela PF sob o argumento de que não continha informações inéditas relevantes para o avanço das investigações e deixava de abordar fatos já conhecidos pelos investigadores.
Segundo fontes ligadas ao caso, a nova proposta segue enfrentando os mesmos obstáculos. Embora Vorcaro tenha incluído relatos envolvendo autoridades e agentes políticos, o material não teria acrescentado elementos novos às apurações nem apresentado indícios de crimes atribuídos a eventuais parceiros.
Integrantes das investigações avaliam que a estratégia do ex-banqueiro pode estar relacionada à tentativa de ganhar tempo enquanto aguarda possíveis decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que possam amenizar as medidas cautelares impostas a ele e a familiares.
Ainda nesta semana, o STF deve retomar a análise do caso que definirá se Henrique Moura Vorcaro, pai do empresário, permanecerá preso.
Apesar da provável rejeição, a possibilidade de um acordo futuro continua aberta. Pela legislação, Vorcaro pode apresentar novas propostas de colaboração às autoridades a qualquer momento.
Nos bastidores, porém, integrantes da Polícia Federal consideram que sucessivas tentativas sem avanços concretos tendem a ter pouco efeito prático sobre a situação do ex-banqueiro.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também teria demonstrado insatisfação com os termos apresentados na nova proposta. Diferentemente da PF, contudo, o órgão estaria mantendo as negociações em andamento, sem formalizar uma rejeição, na expectativa de que a colaboração seja aprimorada.
A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada pela reportagem da Folha para comentar o assunto, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.