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Política & Poder

PF detectou pagamento anual de R$ 33 milhões do Master a Dalide Corrêa citada como ‘canal direto com STF’

Dalide já foi diretora do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), instituição de ensino fundada por Gilmar Mendes

Redação Jornal de Brasília

17/09/2026 15h04

dalides

Foto: Reprodução

A Polícia Federal encontrou documentos de uma auditoria interna feita pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre a operação com a instituição de Daniel Vorcaro que apontou suspeitas nos altos valores de despesas com escritórios de advocacia pelo Banco Master feitas no ano de 2024.

O documento menciona pagamentos, naquele ano, de R$ 40 milhões ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexande de Moraes, e também de R$ 33 milhões ao escritório da advogada Dalide Corrêa, que é citada em diálogos de diretores do Master como “canal direto com o STF”.

Dalide afirmou, por meio de nota, que “jamais atuou para o Master no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”. “Sua atuação restringiu-se a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações. Essa atuação ocorreu exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias”, complementou, em nota, a assessoria da advogada.

Dalide já foi diretora do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), instituição de ensino fundada por Gilmar Mendes. Eles se afastaram em 2017, após desentendimentos na gestão do instituto. Procurado por meio da assessoria do STF, Gilmar Mendes não quis se manifestar sobre o assunto. A interlocutores, ele afirmou que se afastou de Dalide após a saída dela do IDP e que não tem relação de proximidade.

Nas eleições de 2022, Dalide aparecia na lista de candidatos como suplente de João Campos, que concorreu pelo Republicanos ao Senado em Goiás, mas não foi eleito.

“Do total de R$ 215 milhões no FY24 [ano fiscal de 2024] (comparado com R$ 76 milhões em FY23), a maior parte refere-se a R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes, seguido de R$ 33 milhões pagos ao Alves Corrêa [da advogada Dalide Corrêa]. Consideramos essencial compreender o nível habitual dessas despesas para avaliar seu impacto no modelo financeiro. Contudo, não recebemos da administração uma definição sobre o patamar usual para esse tipo de gasto”, diz trecho do documento encontrado pela PF com dirigentes do BRB.

Dalide Corrêa também foi citada em diálogos de diretores do Master, também obtidos pela PF. Os pagamentos a ela são ordenados sob o argumento de que significaria um “canal direto com o STF”. Não foram encontradas menções nesses diálogos ao ministro Gilmar Mendes nem qualquer outro ministro do Supremo, que não foram alvos de diligências ou medidas de investigação na Operação Compliance Zero.

Os contratos do banqueiro Daniel Vorcaro com escritórios de advocacia ligados a ministros do STF geraram uma crise nos bastidores da Corte, depois que o Estadão revelou detalhes do relatório da Polícia Federal sobre menções a Alexandre de Moraes no celular de Vorcaro.

Até agora não tinha vindo a público, porém, a informação sobre a atuação da advogada Dalide Corrêa para o Master. Ela conheceu Gilmar Mendes na época em que ele era advogado-geral da União do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando ela cuidava do jurídico da Caixa Econômica Federal.

As informações sobre a contratação de Dalide surgiram dentro das investigações sobre irregularidades na venda do Master ao Banco Regional de Brasília.

Esse documento que a PF encontrou analisava a viabilidade do negócio. A auditoria destacou os pagamentos aos escritórios de Viviane Barci de Moraes e Dalide em um tópico sobre o alto volume de despesas com escritórios e disse que seria “essencial compreender o nível habitual dessas despesas” para avaliar o impacto delas no orçamento do banco de Daniel Vorcaro.

Além do documento sobre o pagamento, o escritório de Dalide é mencionado nas conversas de diretores do banco. Em conversas sobre as despesas do Master, o diretor da área financeira, Ângelo Ribeiro, deu ordens a Alberto Félix, superintendente executivo de Tesouraria, para o pagamento do escritório e argumentou que se tratava de um “canal direto com o STF”, sem mencionar o que isso significaria.

Ainda não foram produzidas diligências sobre esse contrato de advocacia e, por isso, a PF não produziu nenhuma avaliação sobre a legalidade da prestação dos serviços. Até o momento, o que chamou a atenção da equipe que produziu a auditoria para o BRB foi o alto valor contratual, mas que ainda deve ser analisado em conjunto com outros elementos. Os documentos foram extraídos pela PF do material apreendido com dirigentes do BRB e está ainda sob análise.

Estadão Conteúdo

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