Brasília, 19 – O perito criminal federal João Cláudio Nabas foi alvo ontem de ação da Polícia Federal sob suspeita de vazamento de informações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes obtidas nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras ligadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
João Cláudio Nabas é suspeito de ter vazado dados relativos a Moraes contidos no telefone celular de Vorcaro, como o contrato do escritório de advocacia da mulher do ministro do Supremo, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, além de diálogos do magistrado com o banqueiro.
O Estadão procurou a defesa do perito criminal, mas não houve resposta. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) afirmou, em nota, que está prestando assistência a João Cláudio Nabas para assegurar “o devido respeito à ampla defesa e ao contraditório” e destacou a necessidade de “evitar conclusões precipitadas antes da completa elucidação dos fatos”
O perito atuou nas fases iniciais da investigação e foi responsável pela análise de materiais apreendidos. De acordo com informações da Receita Federal, o escritório de Viviane Barci recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Master em 22 meses, entre 2024 e 2025.
SUSPENSÃO
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão e ordem de suspensão das funções públicas do perito. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. A ofensiva de ontem foi a sétima fase da Operação Compliance Zero, que mira possível crime de violação de sigilo funcional.
“O investigado, na condição de perito criminal federal, teria repassado a integrante da imprensa informações sigilosas relacionadas a fatos ocorridos no início das investigações, obtidas a partir da análise de material apreendido durante uma das fases da Operação Compliance Zero”, afirmou o Supremo, em nota.
A Corte ressaltou que não há investigação sobre profissional da imprensa. “Nesse contexto, as medidas não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa, permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte”, diz o comunicado do STF.
DELEGADA DA PF
Na semana passada, a PF abriu a sexta fase da Operação Compliance Zero, que mirou outra suspeita de vazamento de dados, desta vez envolvendo uma delegada da própria corporação que, em 2024, teria acessado indevidamente e vazado inquérito sigiloso envolvendo o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, a pedido de ambos.
Valéria Vieira Pereira da Silva foi alvo de uma ordem de afastamento e de mandado de busca e apreensão. O marido da delegada, o agente aposentado da PF Francisco José Pereira da Silva, é suspeito de participação no caso. A defesa do casal não se manifestou.
De acordo com a investigação, o repasse de informações foi feito por meio do policial aposentado Marilson Roseno da Silva, suspeito de ser o responsável pela obtenção de dados sigilosos de investigações para o dono do Master. A defesa dele não se pronunciou.
“A investigada Valéria Vieira Pereira da Silva é delegada da PF, e seu marido, Francisco José Pereira da Silva, agente aposentado da PF. Ambos são apontados como responsáveis, em tese, pelo repasse de informações sigilosas a Marilson Roseno da Silva, mediante consultas indevidas ao sistema e-Pol”, diz a investigação. A PF apontou ainda que os dois “possuíam acesso, contatos e conhecimento técnico que poderiam favorecer a continuidade das práticas investigadas”.
Estadão Conteúdo