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Política & Poder

Partidos de direita apostam em bancada feminina à imagem de Michelle Bolsonaro

Redação Jornal de Brasília

17/04/2026 6h44

Michelle Bolsonaro crédito Agência Brasil EBC

Eliane Trindade
Folhapress


“A ordem é ocupar. Estamos vivenciando o crescimento do movimento PL Mulher, protagonizado pela Michelle Bolsonaro, para fortalecer candidaturas femininas”, diz Priscila Costa, pré-candidata ao Senado pelo Partido Liberal do Ceará.

Aos 36 anos, a vereadora mais votada de Fortaleza e atual vice-presidente nacional do PL Mulher consolida-se como uma das vozes mais potentes do espectro conservador no Nordeste.

“Assumir-se de direita em um país tão polarizado não é fácil. Já fui desacreditada, ridicularizada, censurada. Permaneço firme porque sei que represento muitas mulheres”, afirma Priscila. “Queremos viver nossa fé, defender nossos filhos e ocupar espaços de poder sem achar que devemos algo ao movimento feminista.”

A nova liderança diz contar com o aval de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e do casal Bolsonaro para saltar da Câmara Municipal para o Senado nas eleições de 2026.

A cearense mãe de quatro filhos ocupou por quatro meses a suplência como deputada federal e agora pretende voltar a Brasília no próximo ano como uma das “mandatárias” forjadas à imagem e semelhança da ex-primeira-dama que preside a ala feminina do PL desde março de 2023.

Com Michelle Bolsonaro à frente de articulações e encontros regionais, além de inspiração para grupos de bases Brasil afora, o PL espera que a “mulher que o feminismo não entende, aquela que se orgulha da feminilidade e da família”, seja protagonista da renovação no Congresso Nacional em 2027.

É a chamada “bancada da Michelle”, a julgar pela estratégia da legenda explicitada no livro “Edificando a Nação – Sobre Base e Valores”, lançado em junho do ano passado como uma espécie de manifesto político-pedagógico para o próximo ciclo eleitoral.

Um planejamento que tem na ex-primeira-dama o epicentro de um movimento que busca desbancar a hegemonia progressista no debate sobre os direitos das mulheres.

A própria Michelle deve passar pelo teste das urnas neste pleito como candidata ao Senado pelo Distrito Federal, ao mesmo tempo em que tem sido fiadora de candidaturas femininas que largam com força, como a da deputada federal Caroline De Toni (PL-SC), já confirmada como pré-candidata ao Senado.

Em uma queda de braço interna, De Toni contou com as bênçãos de Michelle para desbancar um cacique local, o senador Esperidião Amin (PP), e já desponta nas pesquisas à frente de Carlos Bolsonaro, o filho zero três, também na disputa catarinense por uma vaga no Senado.

No DF, a briga pelos cargos majoritários se desenha como um triunvirato feminino conservador, com Celina Leão (Progressistas) como candidata ao governo, e Michelle e a hoje deputada-federal Bia Kicis (PL) concorrendo pelas duas vagas para o Senado.

Na disputa paulista, a deputada Rosana Valle (PL-SP), presidente estadual do PL Mulher, é outra liderança que tem o apoio de Michele para concorrer ao Senado.

O PL Mulher em São Paulo apresentou crescimento exponencial nas eleições municipais de 2024, servindo de termômetro para o pleito federal de 2026.

“Para a campanha passada, fizemos curso com as mulheres, ensinando desde a formação de uma chapa até como não ser laranja”, relata Valle, contabilizando um crescimento de 85 para 184 vereadoras eleitas no estado.

Resultado que, segundo ela, é fruto de um trabalho de “profissionalização” da militância feminina conservadora e também da liderança de Michelle.

Para Rosana, a entrada em cena da ex-primeira-dama é um divisor de águas, pelo fato de ela desconstruir o estereótipo da mulher na política, frequentemente associado à esquerda.

“Muitas mulheres se identificam com o jeito delicado e acolhedor da Michelle. Ela foi um fator determinante para conquistar essa parcela alheia à política e que não se identificava com as pautas ditas progressistas.”

Em seu artigo de abertura no livro-manifesto, Michelle define a missão do PL Mulher como um projeto de “inspirar, motivar e oferecer formação continuada”. No texto, ela ataca diretamente o conceito de sororidade do feminismo moderno, classificando-o como seletivo e agressivo.

“As mulheres afetadas pelo feminismo falam de sororidade, mas não têm a menor empatia com aquelas que pensam diferentemente delas”, escreve a presidente do PL Mulher.

Um discurso que reverbera em Primavera do Leste (MT), base eleitoral de Gislaine Yamashita, presidente do PL Mulher do Mato Grosso.

A advogada de 47 anos se diz um exemplo de “liderança despertada”, que encontrou no ativismo conservador e na figura de Michelle um chamado para a vida pública.

“Escolhi o PL pelo presidente Bolsonaro e pela Michelle, pois as bandeiras são as mesmas: patriotismo, família e Deus”, afirma a pré-candidata a deputada federal, casada com um agricultor e mãe de dois filhos.

Ao longo de dois anos, entre 2023 e 2024, ela foi semanalmente a Brasília atuar na defesa de diversos “patriotas” detidos após os atos do 8 de Janeiro.

Desde que assumiu a presidência estadual do PL Mulher em dezembro de 2025, Gislaine tem a missão de impulsionar o movimento feminino nos 141 municípios de Mato Grosso por meio do Projeto Alicerça Brasil, que funciona como um guia para que mulheres comuns ocupem espaços de decisão.

“A Dona Michelle desperta em nós esse chamado. Ela mostrou que não é só a advogada ou a empresária de renome que pode estar na política, mas a dona de casa que faz política no seu bairro e pode ocupar conselhos tutelares e comissões de direitos das mulheres.”

O movimento Mulheres Republicanas faz um trabalho de base semelhante no Republicanos, partido da senadora Damares Alves (DF), parceira da ex-primeira-dama nas andanças pelo Brasil na campanha presidencial de 2022. Uma cruzada que repercutiu fortemente nas eleições municipais de 2024.

“Nós elegemos muitas vereadoras pelo Republicanos, o mesmo fenômeno que aconteceu com o PL e outros partidos conservadores”, afirma Damares. “Por muito tempo, a luta pelo espaço da mulher na política ficou com a esquerda e as feministas. Quando parlamentares conservadoras começaram a brilhar na Câmara e no Senado, desculpa a falta de modéstia, houve um despertar dessas novas lideranças de direita.”

Com o final da janela para troca de partidos antes das eleições, PL e Republicanos viram suas bancadas femininas se ampliarem. O Republicanos passou a contar com oito deputadas federais, o que representa 18,6% da bancada do partido.

O número de deputadas federais do PL cresceu de 10 para 16, com a chegada de nomes como Carla Dickson e Rosangela Moro, que deixaram o União Brasil.

Damares reconhece o papel crucial de Michelle, como inspiração e no xadrez político de 2026. “Ela tem o sobrenome Bolsonaro, mas tem brilho próprio. O Brasil vai ouvir falar de Michelle por muitos anos. Ela está gostando do jogo e aprendendo a fazer política”, avalia a senadora, que contou com o apoio decisivo da então primeira-dama para se eleger.

A eleição no Distrito Federal em 2022 ficou marcada pela firmeza de Michelle ao bancar a candidatura vitoriosa de sua amiga e aliada Damares, dinamitando a aliança que o então presidente Bolsonaro fizera para eleger Flávia Arruda ao Senado.

Uma força reconhecida pelo próprio presidente do PL no prefácio de “Edificando a Nação”.

“Junto com o presidente Bolsonaro, veio também o trabalho excepcional da senhora Michelle Bolsonaro, que tem levado às mulheres brasileiras o conhecimento, o orgulho e a força do pensamento conservador”, escreve Costa Neto. “Seu empenho tem incentivado a participação feminina na política como nunca antes visto. O resultado foi histórico: o maior número de mulheres eleitas da trajetória do nosso partido.”

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