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Política & Poder

Parlamentares devem recomendar a Kirchner que aceite renúncia do presidente do BC

Arquivo Geral

02/02/2010 0h00

 

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, deve receber, ainda hoje (2), recomendação da Comissão Especial Bicameral do Congresso Nacional para aceitar a renúncia do ex-presidente do Banco Central (BC) Martín Redrado. O governo ameaçou não aceitar a renúncia, ocorrida (29), depois de cerca de um mês de impasse entre Redrado e Kirchner por discordância na condução da política econômica.

De acordo com a agência oficial de notícias da Argentina, Telam, a comissão deve aconselhar o Executivo a aceitar a saída de Redrado, mas a conclusão final só será divulgada no dia 15 deste mês pelo vice-presidente do Senado, Julio Cobos. A decisão da comissão tem caráter apenas de recomendação. Os deputados Gustavo Marconato e Alfonso Prat Gay, que integram a comissão, devem se manifestar ainda hoje sobre o assunto.

O vice-presidente do Senado só se manifestará houver empate entre as orientações de Marconato e Prat Gay. É esperada para quinta-feira (4) a manifestação – sem peso de recomendação – do ex-presidente e marido da presidente da República e também deputado federal Nestor Kirchner sobre o tema.

As divergências entre Kirchner e Redrado provocaram uma crise institucional na Argentina. Por mais de três semanas, a presidente pressionou para o titular do BC deixar o cargo. Ele resistiu. Eles discordam na questão do uso de aproximadamente de US$ 6,6 bilhões das reservas do país para pagar parte da dívida externa este ano.

Redrado é contra enquanto Kirchner defende o uso dos recursos como prioridade. A presidente chegou a demitir Redrado por decreto, ignorando a legislação argentina que determina a decisão do Congresso sobre o tema.

Depois de resolver o impasse sobre a saída de Redrado, Kirchner terá de definir quem será seu substituto. Inicialmente os nomes são Miguel Pesce, atual vice-presidente do BC, ou Mario Blejer, um dos homens de confiança da presidente.

Porém, pelas leis argentinas, o Banco Central é autônomo e o presidente da instituição deve ser designado e destituído por meio de decisão do Parlamento. O mandato de Redrado terminaria em setembro.

 

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