Brasília, 13 – O governo decidiu trocar o comando do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), demitindo o procurador federal Gilberto Waller Júnior e nomeando para o cargo Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do órgão.
A avaliação dentro do governo foi de que o combate às fraudes nos descontos associativos já estaria encaminhado, com operações avançadas para identificar e punir os responsáveis, e que agora seria necessário voltar a focar no enfrentamento da fila do INSS, que bateu 2,7 milhões de pessoas em março.
A interlocutores, Waller disse ter sido surpreendido pela demissão, formalizada pelo secretário executivo do Ministério da Previdência, Felipe Cavalcante e Silva. Ele também negou que a preocupação com a fila fosse o motivo real de sua saída, sob argumento de que os números melhoraram recentemente. Apesar do resultado do mês passado, porém, a fila está no mesmo patamar de março de 2025.
Waller foi nomeado presidente do INSS no fim de abril do ano passado. Ele substituiu Alessandro Stefanutto, que pediu demissão após ser afastado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal naquele mês para investigar fraudes bilionárias em descontos de aposentadorias e pensões.
Já Ana Cristina é indicação do ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que decidiu permanecer no governo em vez de disputar algum cargo eletivo em outubro. Com isso, o ministro ganhou carta branca para compor sua equipe.
Havia uma leitura de que o ex-presidente do órgão só priorizaria uma medida para acabar com a fila, que era a concessão de bônus para peritos. Ele, porém, disse que à frente do INSS adotou outras medidas, como a nacionalização da análise da fila para permitir que servidores de qualquer região atuassem nos processos de localidades com maior tempo de espera.
No entanto, para o governo o aumento da fila não era considerado proporcional ao número de requerimentos protocolados solicitando benefícios, o que gerou críticas à atuação de Waller. A mudança busca ainda evitar o desgaste que o aumento da fila do INSS poderia provocar na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em março, a fila caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões de pessoas A média de novos pedidos foi de 61 mil por dia, superando a média de 59 mil registrada em fevereiro.
Antes de sua demissão, Waller declarou, por meio de nota publicada no site do INSS, que o “resultado histórico” de redução da fila de espera em março foi “fruto de uma atuação firme, com foco em produtividade e no atendimento ao cidadão”.
DESEMPENHO
Ana Cristina teve números expressivos de redução de tempo de espera e de volume de processos quando presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Ela ficou três anos no cargo (2023 a 2026) e saiu da cadeira em fevereiro deste ano, mas seu desempenho pesou para ela assumir o INSS agora, segundo apurou o Estadão/Broadcast.
De acordo com dados do CRPS, o tempo médio de tramitação de um recurso no colegiado era de 431 dias no primeiro trimestre de 2024, dado mais antigo para o período. No mesmo intervalo de 2026, esse tempo caiu para 169 dias, uma redução de 61%. Em 2025, ano totalmente sob a gestão de Ana Silveira, o tempo médio de tramitação dos recursos chegou a 183 dias (em dezembro). Com relação aos processos na fila há mais de 180 dias, houve uma queda de 73,5%, passando de 244.553 processos, em janeiro de 2025, para 64.575 no mês de dezembro.
Estadão Conteúdo