A disputa pelo governo do Pará tem grandes chances de ser polarizada, caso o PT feche a aliança com o PMDB da família Barbalho. O atual governador Simão Jatene (PSDB) já sabe que enfrentará uma ou duas chapas adversárias com força para tirar votos. Entretanto, ainda paira uma dúvida sobre a candidatura do governador, que chegou a declarar que não disputaria a reeleição.
A reedição da coligação do governo federal começou a ser negociada no ano passado entre o ex-presidente Lula e o senador Jader Barbalho, que tem planos de lançar o filho, Helder, como candidato ao governo. Em visita ao Pará na última semana, a presidenta Dilma Rousseff conversou com o senador e deixou os detalhes acertados.
Resistência petista
Enquanto isso, o PT local tem resistência a se coligar com o PMDB. Apesar da negativa, já é esperado que sobressaia a pressão da executiva nacional petista. Um dos argumentos para rechaçar a aliança é a mudança constante dos peemedebistas. A ex-governadora Ana Júlia Carepa se elegeu em 2006 com o apoio dos Barbalho, que trocaram de lado no final da gestão. Já nas eleições de 2010, a família subiu no palanque do atual governador.
O apoio a Jatene também não durou muito. Em 2013, os Barbalho deixaram o governo, já visando a candidatura própria este ano. Em comum no Pará, PT e PMDB têm o fato de não serem aliados da gestão do PSDB.
Na Assembleia Legislativa, 24 dos 41 deputados são governistas. Os oposicionistas somam 17, dos dois partidos aliados nacionalmente, e mais o voto solitário do PSOL.
A saída para o PT paraense, se conseguir vencer a queda de braço com os defensores da aliança, poderia ser a candidatura do deputado federal Cláudio Puty. Outro obstáculo que a legenda deve ter que superar é o enfraquecimento creditado à gestão de Ana Júlia, que esteve entre os governadores com piores avaliações em todo o País.
O escolhido do PMDB, Helder Barbalho, tem no currículo os cargos de vereador e prefeito de Ananindeua, segunda maior cidade do estado e deputado estadual. Tudo isso aos 35 anos.
Ainda no ano passado, o filho de Jader Barbalho, estreou como radialista em um programa de utilidade pública, muitas vezes fazendo críticas ao governo. Os rivais alegam que Helder estaria fazendo campanha antecipada.
Muitas batalhas, mesmos personagens
1Na primeira vitória de Simão Jatene, em 2002, ele sucedeu o também tucano Almir Gabriel, que governou o estado nos oito anos anteriores.
2 A vitória foi sobre Maria do Carmo (PT), por uma margem apertada, de 51% a 49%.
3 Jatene entrou em cena porque o então governador não poderia disputar a reeleição e, depois disso, acabou se afastando da vida política.
4 Por pouco tempo, Jatene foi escanteado. Almir Gabriel decidiu ser candidato novamente, em 2006. Só que Almir perdeu para a petista Ana Júlia Carepa, que acabou fazendo gestão criticada e também não conseguiu se reeleger.
5 Ao longo das disputas eleitorais, o senador Jader Barbalho oscilou seu apoio entre os tucanos e os petistas. Sempre ficou do lado vitorioso.
6 A força política do senador é tida como dos motivos para o favoritismo do filho, o jovem Helder Barbalho.
7 Ex-vereador e prefeito de Ananindeua, Helder escolheu a cidade como um atalho político, já que na capital enfrentaria uma maior dificuldade, por conta da quantidade de candidatos já consolidados.
8 O apoio do PT é dado como certo, mas poderia não ser decisivo para uma candidatura forte, justamente por conta do imagem negativa que o partido obteve após a gestão polêmica de Ana Júlia.
9 Entretanto, a chapa de Simão Jatene não perde o favoritismo, já queo governador mantém seu prestígio e, mesmo saindo do cargo, preservará o apoio do vice, que assumirá o governo.
Renúncia para concorrer
Mesmo após a indecisão, o governador deve realmente disputar a reeleição. O que deve acontecer será a saída do cargo, por questões éticas pessoais. Simão Jatene chegou a dizer que queria deixar a vida política. O discurso mudou e foi feito o anúncio de que ele, apesar de não ser obrigado, se desincompatibilizaria. A decisão teria sido tomada após pressão do partido. O governador bem que tentou oferecer o apoio ao vice, Helenílson Pontes (PPS), mas a manobra não agradou o PSDB.
Atrativo extra é endosso para vaga no Senado
O que pode ser usado como munição pelos adversários durante a campanha eleitoral é o trabalho considerado sem grandes avanços do governador. Reflexo disso é a avaliação positiva de 22%, em novembro de 2013. Parte da população acredita que houve piora em serviços públicos como saúde e segurança pública. Além disso, Jatene é tido como um governador que inaugurou poucas obras.
O senador que termina o mandato é Mário Couto (PSDB), que subirá no mesmo palanque do governador Simão Jatene. Apesar de colegas de partido, os dois brigaram nas últimas eleições pela candidatura para o governo, com o então ex-governador entre 2003 e 2006 levando a melhor. Agora, Couto tenta se reeleger, em chapa puro-sangue.
Quem deve vir como candidato da outra chapa é o deputado federal Paulo Rocha (PT), que foi absolvido das denúncias do mensalão. Mesmo inelegível em 2010 por conta da renúncia ao cargo de deputado federal após o escândalo, Rocha conseguiu 1,7 milhão de votos, ficando em terceiro lugar, atrás de Flexa Ribeiro e Jader Barbalho. A vaga para o Senado seria uma das condições que a executiva nacional do PT definiu para a coligação com o PMDB e seu maior atrativo.