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Política & Poder

Operação contra Ciro Nogueira e disputa no Senado antecipam embate de Lula e Flávio sobre o Master

Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL) e era uma das opções para assumir a vice de Flávio

Redação Jornal de Brasília

09/05/2026 11h20

ex-ministro chefe da casa civil, ciro nogueira,disrcursa durante solenidade de posse no palácio do planalto

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

AUGUSTO TENÓRIO, CATIA SEABRA E THAÍSA OLIVEIRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A operação da Polícia Federal que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e a derrota no Senado da indicação de Jorge Messias para uma cadeira no STF (Supremo Tribunal Federal) anteciparam o embate político em torno do caso Master entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Lula se prepara para explorar os desdobramentos dos casos durante a campanha, em agosto, mas evita contaminar agora sua relação com o Congresso Nacional. A ação contra Ciro Nogueira e o veto a Messias, no entanto, levaram seus aliados a colocar desde já na rua a estratégia de ligar o escândalo do Master à direita.

Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL) e era uma das opções para assumir a vice de Flávio. A suspeita é de que ele tenha recebido dinheiro do Master para defender o banco no Congresso. O parlamentar nega. Desde a operação da PF na quinta (7), isso foi explorado pela esquerda nas redes sociais, gerando desgaste ao adversário, como seus próprios aliados admitem.

O núcleo duro da campanha do filho de Bolsonaro notou que esse discurso de aliados de Lula repercutiu nas redes sociais e levou a uma reação de Flávio para, mais do que passar a imagem de ser a favor das investigações, tentar atrelar suspeitas de desvios ao PT.

Ambos os lados tratam o tema com cautela. Flávio não quer prescindir de uma eventual aliança com Ciro Nogueira, que pode ser relevante em termos de tempo de televisão e dinheiro para sua campanha. Antes mesmo da operação, o parlamentar do Piauí já tinha caído nas apostas para a vice.

Lula, por sua vez, tenta se equilibrar entre a governabilidade e a disputa eleitoral ao lidar com o impacto do escândalo do Master sobre o Congresso e o STF. Logo após a operação da PF, o presidente orientou aliados a não tripudiar. A ideia é refutar acusações de instrumentalização da corporação contra adversários, principalmente após o Senado rejeitar a acusação de Messias.

Um dos argumentos para sustentação dessa estratégia é o de que o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, foi indicado pelo ex-presidente Bolsonaro, pai de Flávio.

A tática é adotada num momento em que Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tentam restabelecer pontes. Alcolumbre é próximo a Ciro Nogueira e padrinho político do presidente da Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do estado, que aportou recursos da instituição no Master.

Alcolumbre sinalizou que deseja um encontro com Lula

Mesmo entre aliados de Lula que recomendam cautela, porém, há o consenso de que o caso Master será um dos temas da eleição. A aposta é que o petista precisará fazer “do limão uma limonada” e transformar a derrota de Messias numa pauta eleitoral positiva.

A ideia é adotar um discurso antissistema na campanha, denunciando a rejeição a um evangélico e a existência de um consórcio entre o centrão e a direita para dificultar o avanço das investigações sobre o banco.

O embasamento para essa ofensiva é denunciar que a desaprovação de Messias e a derrubada do veto da dosimetria fazem parte de um acordo do centrão com a direita e uma ala do STF para frear as investigações.

A oposição passou meses pedindo a CPI para investigar o escândalo, mas isso gerou um impasse para a derrubada do veto da dosimetria -que reduz as penas dos condenados por golpismo. Esse tipo de comissão tem instalação obrigatória na primeira sessão do Congresso após a reunião das assinaturas necessárias.

Dessa forma, Alcolumbre indicou que não convocaria a reunião do Congresso para derrubar o veto até a oposição garantir que não usaria a sessão para pressionar pela instalação da CPI. De fato, o PL de Flávio Bolsonaro não pressionou pela abertura do colegiado durante a votação da dosimetria, no último dia 30.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou à reportagem que o partido vai expor o que seria um consórcio entre centrão e a direita para enterrar a comissão. “De um lado derrubou a dosimetria e do outro protegeu o ministro Alexandre de Moraes e os congressistas envolvidos com o Master, derrubando a CPI. Ficou claro esse acordo”, disse.

Messias foi apoiado publicamente pelo ministro André Mendonça, que tentou virar votos na oposição para fazer do advogado-geral da União seu colega no STF. Petistas alardearão que Messias foi rejeitado porque, se aprovado, integraria a ala do da corte que defenderia a investigação do Master.

Apesar do pedido de Lula para não se vangloriar da operação contra Ciro Nogueira, uma ala da esquerda partiu para o ataque, antecipando o discurso da campanha contra Flávio. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), publicou uma montagem que mostra os senadores como uma dupla sertaneja chamada “Rachadinha & Mesadinha”.

O pré-candidato do PL logo percebeu rapidamente que a operação da PF contra Ciro Nogueira abriria um flanco de desgaste, uma vez que o senador era cotado para ser seu vice. Flávio publicou dois vídeos, feitos em estúdio, defendendo a investigação e atacando a base governista por não ter aderido ao pedido de CPI do Master articulado pela oposição.

Ele não fez referência a Ciro Nogueira, mas apontou suspeitas sobre o envolvimento do PT da Bahia com o escândalo.

Interlocutores admitem o receio de Flávio Bolsonaro porque Ciro Nogueira é uma pessoa próxima. Por isso não irão atacá-lo, mas deixam claro que possuem munição para contra-atacar o governo, apontando que o senador do Piauí, apesar de ter sido chefe da Casa Civil de Bolsonaro, antes foi aliado de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff.

Nesta sexta (8), em entrevista em Florianópolis (SC), Flávio tentou se distanciar do senador do PP e disse que as acusações são graves. “Vocês querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula”, disse.

Ele afirmou ainda: “Não é que as pessoas têm proximidade comigo que eu vou ter que responder pelos atos dela”.

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