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O dia em que Itamar partiu

Ex-presidente da república se foi como o homem que matou a hiperinflação

Por Gustavo Mariani 02/07/2022 12h35
Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Na data de hoje, há 11 viradas do calendário gregoriano, o católico Itamar Franco atendeu convocação do “Partido do Altíssimo” e foi politicar nas “Graças do Senhor”. Como 33º presidente da “república brazuca”, deixou três grandes marcas, sempre lembradas pelos historiadores do seu governo (ler adiante), que rolou entre 29 de dezembro de 1992 a 1º de janeiro de 1995 – após a renúncia do antecessor Fernando Collor de Mello.

Além de fatos políticos e econômicos, o mandato presidencial de Itamar Franco ficou marcado, também, pelas suas muitas brigas com os fotógrafos. Ao ver jornais publicando imagens sua que lhe desagradavam, ele soltava os bichos: “Filhos da……Não largam do meu pé. Onde vou, tem mais de 30 me perseguindo. Batem as mais exóticas fotos, só pra me sacanearem. Só faltam me fotografar coçando o….”, lembrava Gervásio Batista, da então extinta e governamental Radiobras.

Quando dormia com uma de suas (muitas) namoradas, Itamar aparecia mais calmo com os fotógrafos que o cobriam em compromisso público matinais. “Presidente: o senhor não gosta, mas foto feia faz parte da democracia”, cobrou-lhe, certa vez, o fotógrafo Hermínio Oliveira.

Talvez, a pior briga de Itamar com os fotógrafos foi quando uma de suas namoradas apareceu caminhando com ele pelos gramados do Palácio da Alvorada. Iriam sair naquele que era um final de semana. Ao ver a moça de mãos dadas com ele, os ‘caras’ subiram na cerca da casa, com as suas teleobjetivas disparando, insistentemente, e deixando o presidente uma fera. Quando os encarou, ele os acusou de invasão de privacidade e gritou: “Não sou o Governo, neste momento, mas um cidadão comum, igual a vocês”, nunca esquecia disso Tadashi Nakagomi, então no Jornal de Brasília.

Se tinha bronca dos fotógrafos, curiosamente, Itamar curtia as sacanagens que os chargistas faziam com ele, como desenhando o seu pimpão em tamanho exagerado. “Eu acho isso um abuso”, criticava o porta-voz Fernando Costa, tentando justificar: “Sou jornalista, como vocês, mas se deveria levar em conta que o presidente da república não é só uma pessoa física, mas o chefe da nação. Não deve ser ridicularizado”.

Naquele momento, “do outro lado do balcão”, Fernando Costa era cobrado pelo jornalista carioca Armando Simões: “Fotos e charges sacaneando o “home” são coisas de um país tropical, cara. Aqui, levamos tudo na baderna”.

POLITICAÇOS – Itamar Franco assumiu a presidência da república com o apoio de todos os partidos políticos. Os fatos mais importantes da sua gestão foram: 1 – plebiscito para os brasileiros dizerem se queriam monarquia ou república, parlamentarismo ou presidencialismo, em abril de 1993 – preferiu república presidencialista; 2 – plano econômico (Real) para acabar com a hiperinflação e estabilizar a moeda, por meio de contenção dos gastos públicos; privatização de estatais; redução do consumo; aumento de taxas de juros e abertura da economia à competição internacional; 3 – lideranças “itamaristas” conseguiram criar a Comissão Parlamentar de Inquérito-CPI, que apurou denúncias de desvio de verbas públicas, por meio de emendas apresentadas à Comissão do Orçamento. Foi chamada por CPI dos Anões, devido deputados “comissionistas” serem baixinhos. Dos 18 acusados, seis foram cassados e quatro renunciaram aos mandatos, na primeira vez em que o Congresso Nacional brasileiro teve parlamentares investigando colegas.

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Itamar Augusto Cautiero Franco tinha certidão de batismo informando que nascera na mineira Juiz de Fora, em 28 de junho de 1931. Havia versões de pesquisadores, no entanto, dizendo que viera ao mundo sob águas da Bahia, quando a sua mãe viajava em um navio.

Era inícios de 1989, quando Itamar Franco topou convite de Fernando Collor de Melo, então governador de Alagoas, para ser o seu vice na chapa do “breguíssimo” Partido da Reconstrução Nacional-PRN, em novembro. Ao anunciar isso aos jornalistas que estavam na sala de imprensa da Câmara dos Deputados, levou uma vaia, pois todos antipatizavam com o Collor, que largou a corrida presidencial com 2% das intenções de votos, além de ter tentado outros parceiros, que recusaram, por não botarem fé nele. Sem partido e em final de mandato senatorial, Itamar topou, com Fernando Collor levando muito em consideração a sua imagem de politico honesto e pobretão, e a sua boa base eleitoral, em Minas Gerais. Torcedor do América Mineiro, o ex-presidente Itamar Franco, faz, hoje, então, um time de temporadas em que foi integrar o time dos políticos Lá de Cima.








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