O ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), admitiu nesta sexta-feira (25) em, que seu chefe de gabinete, Cássio Peixoto, é “de confiança”, mas negou ter dado ordens a ele para que fosse alterada a nota técnica número 123/2011, fraude que respaldou a implantação do projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá, avaliado em R$ 1,2 bilhão, para a Copa de 2014.
Negromonte disse ainda que não teve conhecimento do parecer da Controladoria-Geral da União (CGU) que reprovou o projeto de VLT e alertou que ele não será concluído antes de 2014. O parecer da CGU foi enviado ao secretário nacional de Transporte e Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Luiz Carlos de Lima. “Não tenho conhecimento disso. Apenas a CGU analisou a documentação do Estado de Mato Grosso. Analisou a proposta do Estado. E não foi contrária”, disse o ministro, ignorando a existência do parecer também revelado pelo Estado na edição de ontem.
Ao manifestar-se pela primeira vez sobre a fraude na pasta, revelada pelo jornal o Estado de São Paulo na edição de quinta-feira, o ministro mostrou-se evasivo e impaciente, disse que não vai prejulgar nem demitir servidores, e desligou o telefone, abandonando a entrevista aos 11 minutos.
“O Cássio é uma pessoa da confiança e ele faz parte do G-Copa. Ele solicitou que reanalisassem o projeto. Agora (ele) não pediu a meu mandado não, hein, companheiro! Não mandei. Ele disse a mim que pediu (a reavaliação do parecer técnico da pasta). Não fui eu que pedi a ele”, afirmou Montenegro.
A pedido de Cássio Peixoto, a diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luíza Gomide Vianna, alterou a nota técnica 123/2011 feita no dia 8 de agosto e assinada pelo analista Higor Guerra. O primeiro parecer pedia o aprofundamento dos estudos sobre VLT antes que fosse tomada qualquer decisão.
O parecer seguinte, assinado por Luíza Vianna, é datado de 8 de setembro deste ano, tem o mesmo número do anterior e abriu caminhos para a instalação de um projeto do VLT.