Francisco Dutra
Especial para o Jornal de Brasília
O governador Rodrigo Rollemberg entrou no segundo semestre de mandato tendo que desarmar duas bombas-relógio: o Buritigate e a dívida de R$ 1,5 bilhão com o setor produtivo. A primeira ameaça inviabilizar as relações com os deputados distritais. A segunda pode levar a uma escalada de desemprego e o acirramento da crise econômica local, além de minar os laços entre o Buriti e o empresariado.
Caso ocorram novos vazamentos de áudios da reunião entre a cúpula do GDF e os deputados distritais, Rollemberg cogita adotar novas normas de segurança no Buriti. A preocupação do governador não é com conteúdo das conversas, mas sim com a prática de gravações clandestinas.
“O Palácio do Planalto adota determinadas medidas. Nas reuniões as pessoas têm que deixar o celular fora da sala. Será que vamos ter adotar medidas como essas por aqui? Eu preferia não. Mas, por uma questão de segurança, de nossa parte também não tem problema”, comentou ontem Rollemberg.
De certa forma, segurança e Buritigate estão ligados. Para que seja feito o cronograma de pagamento da dívida, o governo precisa aumentar receita. Para isso, diz o Executivo, precisa da aprovação de projetos pela Câmara.
Organizar o caixa
Segundo o governador, o Executivo vem tomando as medidas necessárias para organizar o caixa. O Buriti conseguiu pagar em dia os salários de servidores, bem como os fornecedores de serviços de 2015.
No entanto, segundo o governador, não há como apresentar o cronograma de pagamentos, pois o governo ainda não tem a arrecadação adequada. “Devemos. Reconhecemos a dívida. E vamos pagar à todos. E vamos pagar na medida das nossas possibilidades”, declarou.
Investigação mostrará local do gravador
A Polícia Civil trabalha para identificar, pelo menos, de que ponto da sala do governador as gravações foram feitas. O diretor-geral Eric Seba explica que a fase atual do inquérito é de apuração técnica. “Estamos fazendo análises das conversas, da intensidade das gravações e investigando também as postagens, tentando identificar IP de maquinas que difundiram os arquivos e as redes sociais onde foram divulgados”, disse.
O trabalho, ele diz, “não é fácil”, já que a polícia não teria os originais das gravações. “A cada vez que o arquivo é compartilhado, perde-se a qualidade e os traços característicos nas gravações”, apontou.
Uma possível oitiva dos secretários, assessores e distritais presentes no encontro está descartada, por ora, conforme Seba. “Fica até estranho perguntar para um secretário de Estado ou um deputado se ele gravou”, argumentou. Oportunamente, no entanto, ele diz que a polícia pode ouvir algumas pessoas que forem importantes para prestar esclarecimentos.
Empenho
As investigações levarão tempo, conforme o diretor-geral, já que exigem cautela. “O governador está empenhado. A preocupação dele é muito grande para que cheguemos ao esclarecimento”, observou, reiterando que trata-se de um “trabalho muito complicado”.
A polícia espera apontar o autor das gravações, mas quer evitar apostas intempestivas. “A investigação que tem que ser muito bem conduzida para evitar especulações”, disse Seba. “Vamos rezar para que dê tudo certo. E trabalhar também”, concluiu.
Aviso: não foi ação de governo
A Polícia Civil está investigando o Buritigate. Segundo o diretor-geral, Eric Seba, a primeira fase da apuração está sendo exclusivamente técnica. Não se trata de investigar pessoas específicas. O governador está informado do andamento dos trabalhos. “Certamente isso não foi uma ação de governo. Isso jamais passaria por nossa cabeça. Porque não faz parte da nossa cultura, da nossa vida, da nossa forma de agir”, comentou Rodrigo Rollemberg.