A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça julga nesta quarta-feira (07), em São Paulo, o requerimento de anistia política do teatrólogo José Celso Martinez Corrêa. O julgamento faz parte da 35ª Caravana da Anistia que leva o perdão oficial do Estado àqueles cidadãos que foram vítimas da Ditadura no Brasil. A atividade acontecerá no teatro Oficina que completou, no ano passado, 51 anos em plena atividade artística e social.
A Caravana da Anistia cumpre um importante papel na democracia, pois leva os julgamentos dos pedidos de anistia para os locais onde ocorreram os fatos. Para o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão é desta forma que se garante o resgate da dignidade do perseguido político. “Em muitos casos, o ex-perseguido político ainda era visto como um criminoso. Com a ativação da memória social e o trabalho da Comissão, há uma reconstrução moral ao se reconhecer a responsabilidade do Estado nas violações dos Direitos Humanos”, explica.
A Comissão de Anistia analisa e julga há 9 anos os requerimentos de anistia de pessoas que foram vítimas de perseguição exclusivamente política no período entre 18 de setembro de 1946 e 05 de outubro de 1988, conforme regulamentação da Lei 10.559/2002. Desde que foi criada, a Comissão reúne-se semanalmente para analisar a solicitação de pessoas que alegam terem sofrido perseguições políticas durante o período de repressão ditatorial no Brasil, vítimas de graves violações dos direitos humanos. Os Conselheiros, membros da sociedade civil, nomeados pelo ministro de Estado da Justiça, julgam voluntariamente os mais de 66 mil processos protocolados na Comissão de Anistia.
As Caravanas da Anistia têm contribuído para divulgar a memória política brasileira referente ao período de repressão ditatorial, de forma a estimular e difundir os temas da anistia política, da democracia e da justiça de transição. Ações educativas e culturais são levadas para a sociedade civil com uma dimensão que possibilita e incentiva a reflexão sobre democracia e os direitos humanos.
Atividade cultural
Pensando em agregar uma atividade cultural aos julgamentos itinerantes, a 35ª Caravana da Anistia apresenta em parceria com o Teatro Oficina Uzina Uzona, a peça, o Banquete, de Platão sobre Eros, o deus do amor.
José Celso Martinez Corrêa – Diretor, autor e ator. Diretor do Teatro Oficina, a 43 anos, uma das companhias mais conectadas com o seu tempo. Encenou espetáculos considerados antológicos, como Roda Viva; Galileu Galilei; Pequenos Burgueses; O Rei da Vela; e Na Selva das Cidades. Nos anos 1970, vivenciou todas as experiências da contracultura, transformando-se em líder de uma comunidade teatral e das montagens de suas criações coletivas. Ressurge nos anos 1990, numa nova organização da companhia, propondo uma interação constante entre vida e teatro.