O ministro da Justiça, pharm Tarso Genro, em nome do Estado brasileiro, pediu perdão às famílias dos desaparecidos e torturados pela ditadura militar que se instalou no Brasil por mais de 20 anos. De acordo com Genro, os erros cometidos pelo Estado, durante o regime de exceção, contra os que foram perseguidos precisam ser reparados.
“O Estado pede perdão para aqueles que foram torturados. Pedimos perdão às famílias que perderam algum parente. Este é o memorial das vozes que foram caladas. O Memorial de Anistia busca o direito à memória e à verdade, resgatando a importância da luta pela democracia. É a transição de uma política de reconciliação com o nosso passado”, disse.
O ministro da Justiça assinou na tarde de hoje (28) o termo que cria o Memorial de Anistia Política do Brasil. A sede do memorial será em Belho Horizonte, num prédio que pertenceu à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que será marcado como espaço de resistência ao regime militar. Quase 100 mil processos recebidos pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça irão compor o acervo do memorial. O ministério vai investir cerca de R$ 5 milhões para a realização das obras.
Segundo o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, as obras terão duas fases. A primeira será concentrada na melhoria do prédio da antiga Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (fatich), com a conclusão prevista para dezembro deste ano. Depois, será construído um prédio que abrigará o centro de documentação e pesquisa, devendo ser inaugurado em julho de 2010.
Paulo Abrão disse ainda o objetivo do memorial não é de ser um museu contando a história do Brasil, e sim o de lutar pela implementação de políticas de reparação às pessoas que sofreram algum tipo de tortura durante o regime militar.
“Nosso objetivo é promover uma reparação integrada aos perseguidos. É dever do estado reparar o erro cometido no passado, pois é uma questão ética e moral. Uma vez que a anistia não pode ser esquecida pela sociedade”, disse.