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Política & Poder

Militantes deixam rastro de porcaria

Arquivo Geral

17/08/2013 9h00

Depois de quatro dias de ocupação, os manifestantes que acamparam no saguão de entrada da Câmara Legislativa para pressionar a Mesa Diretora a abrir inquérito contra os deputados acusados de improbidade administrativa deixaram a Casa, ontem. 

 

A saída não foi tão pacífica como era esperado por membros da Câmara e acabou com muita sujeira, papel higiênico para todo lado, além de  terem jogado muitos ovos para emporcalhar  a fachada da sede do Legislativo.

 

Não gostaram da decisão


De acordo com a representante do grupo, a professora  Vanessa Dourado, 29 anos, que participou da ocupação, as ações dos militantes foram um protesto contra a decisão de enviar  de forma direta, à Corregedoria, apenas  o processo de Benedito Domingos (PP), enquanto os processos de Rôney Nemer (PMDB) e Aylton Gomes (PR) aguardarão decisão da Justiça.

 

“Percebemos que nossas reivindicações foram atendidas parcialmente. O protesto foi contra isso. O papel higiênico foi para dizer que eles deveriam limpar a Câmara”, declara a militante, que completa: “Nós queríamos mostrar que o  povo não está dormindo”.

 

Para o secretário-geral da Câmara Legislativa, Joan Martins, a saída dos militantes não foi pacífica, apesar do tratamento ameno dado a eles pelo presidente da Casa, Wasny de Roure (PT). “Desde o início procuramos dialogar com eles e, por ordem do presidente. Todo o caso foi acompanhado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, para que isso fosse garantido”, destaca Joan, que admite: “Não houve grandes prejuízos materiais”.

 

 

Minorias que tentam impor sua vontade

 

1 Na Câmara Legislativa, como no Congresso, foram muito criticadas as últimas invasões de edifícios-sede do Poder Legislativo. No caso específico da Câmara brasiliense, os ocupantes nunca passaram de 20, dos quais 16 chegaram a penetrar no prédio. Em certos momentos, eram apenas nove. Mesmo assim, pretendiam ditar posições para os deputados.

 

2 Trata-se, no fundo, de uma questão de representatividade. No Rio de Janeiro, a Câmara dos Vereadores foi cercada por grupos que nunca passaram de 200 pessoas. Um grupo de 30 chegou a ocupar partes do prédio. Ao final, eram 11. O grupinho exigia que três vereadores deixassem a CPI das Tarifas de Transporte. Somados, os três receberam 70 mil votos nas eleições do ano passado.

 

3 Para os deputados, a pergunta que fica é: só por invadirem prédios e fecharem o trânsito, os ativistas têm o direito de impor sua vontade a quem tem mandato?

 

 

Surge lista de novas reivindicações


A militante Vanessa Dourado disse que o objetivo do grupo agora será mobilizar outras partes da sociedade: “Estamos num processo para fazer com que a sociedade participe das mobilizações. Há muitas coisas erradas e eles, os políticos, estão confortáveis, porque a população não os cobra”.

 

“Nossa ideia não era chamar a atenção apenas para a Casa, mas para o condenados por improbidade, que têm a oportunidade de continuar em seus cargos”, conclui Vanessa.

 

Após a saída, os manifestantes que ocupavam a Câmara Legislativa publicaram um manifesto onde apresentam as pautas que voltaram a ser apresentadas ao parlamento local. Entre os assuntos estão: a revisão da demarcação da área que batizaram Santuário dos Pajés, no Noroeste, a instauração de inquérito contra a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), a aprovação do projeto Tarifa Zero e do transporte 24 horas.

 

Secretaria vai apurar denúncias


A Secretaria de Transparência e Controle vai apurar denúncias contra servidores do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), entre eles o diretor-geral do órgão Marco Antônio Campanella, acusados de usar a sede da autarquia como núcleo partidário para a filiação de novos integrantes ao Partido da Pátria Livre (PPL). A informação foi divulgada pouco mais de 24 horas após denúncias de funcionários estariam fazendo o uso indevido do espaço.

 

De acordo com a Secretaria foi instaurada, ontem, “uma investigação preliminar para apurar a denúncia de uso político-partidário do DFTrans por servidores do órgão, que indica uma suposta distribuição de fichas de filiação partidária dentro das instalações da autarquia”.

 

A Transparência terá 60 dias para finalizar as investigações, podendo prorrogá-la por outros 60 dias. “Caso a investigação confirme os fatos denunciados, serão, então, instaurados os devidos processos para punir os envolvidos”, conclui.

 

Punição

 

Até o momento, apenas um funcionário terceirizado, identificado como Dehordam Nascimento Alves, foi afastado. Ele aparece em gravações fazendo a entrega de fichas de filiação e reconhecendo a irregularidade.

 

Saiba Mais


Segundo o procurador regional eleitoral, Elton Ghersel, a ação no DFTrans pode gerar multa ao PPL.

A denúncia pode ser enviada ao Tribunal Regional Eleitoral, que decidirá se abre ou não processo.

Caso seja acusado, Marco Antônio Campanella pode sofrer sanções eleitorais e ter a sua saída do DFTrans recomendada.

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