O governador Rodrigo Rollemberg admitiu pela primeira vez que as dificuldades financeiras podem não ser contornadas no primeiro ano de gestão, mesmo com os cortes já aplicados de R$ 200 milhões. O motivo é simples: a herança considerada maldita. Em balanço de 120 dias de governo, Rollemberg lembrou as realizações e prometeu entregar mais nos próximos meses.
Foram convocados secretários e servidores para a apresentação dos resultados. Lembrou-se, por exemplo, que o governo conseguiu créditos que somam R$ 567 milhões para obras de infraestrutura como rodovias e unidades habitacionais. A situação das creches conveniadas foi resolvida e fizeram-se repasses para reforma de escolas. Durante o discurso, o governador citou dificuldades, mas garantiu que haverá mais boas notícias.
Faturas diferidas
Mesmo assim, o cenário traz situações complicadas. Depois de admitir a possibilidade de parcelar em mais de 24 vezes as faturas com fornecedores, Rollemberg crê que também o fechamento do ano traga dificuldades.
“Você há de convir que assumir um governo com o déficit de R$ 3,5 bilhões do exercício anterior e com esse exercício anterior defasado em R$ 3,2 bilhões só para pagamento de pessoal, é muito difícil resolver tudo em um ano. É por isso, inclusive, que temos de parcelar o pagamento das dívidas. Agora, estamos fazendo todo o esforço possível no plano local e no plano federal para buscar recursos que possam garantir melhoria na nossa receita e ao mesmo tempo cortando despesas para ir mês a mês reduzindo essa diferença”, afirmou.
Conjuntura não ajuda na arrecadação
A razão para a avaliação das dificuldades tem a ver com o contexto econômico, com contratempos em todo o País. “Se será possível fazer um equilíbrio total até o fim do ano, eu diria que é muito difícil, porque estamos em uma ambiente sem crescimento econômico, não temos aumento das receitas transferidas pela União. Mas estamos fazendo todos os esforços que estão ao nosso alcance para reduzir isso ao máximo e começarmos o ano que vem em uma situação muito melhor”, projetou.
Questionado sobre a possibilidade de fazer a chamada “pedalada”, o governador se calou. A manobra consiste em deixar de empenhar despesas no ano do exercício, para pagar no ano seguinte. Meses atrás, secretários se manifestaram contra a medida.
As críticas vindas da Câmara Legislativa foram consideradas naturais por ele. Rollemberg negou que estivesse utilizando as más condições financeiras para justificar a falta de ações do novo governo. “Os projetos estão saindo do papel. Não queremos ficar remetendo ao passado, mas temos que esclarecer a situação em que estamos”, disse.
O governador também foi bombardeado com perguntas sobre saúde e educação. Apesar de garantir melhorias, ele reconheceu que é preciso avançar mais. Melhorias mais profundas nas estruturas de escolas e de hospitais estão sendo estudadas.