Carla Rodrigues
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A troca de acusações no horário eleitoral entre os candidatos ao GDF pode não ser uma boa tática para conseguir votos. Especialistas garantem que a troca de ideias entre os postulantes é válida e necessária para atrair eleitores. Entretanto, avaliam que ataques e ofensas são desnecessários e podem até prejudicar a imagem dos concorrentes.
“Acredito que ofender ou tentar manchar a imagem do seu concorrente só gera ainda mais desinteresse do eleitor pelos candidatos. As pessoas querem ver e dar seus votos para pessoas que mostram suas propostas, que possuem proposições. Elas não querem assistir brigas, querem troca de ideias”, afirma o cientista político Luiz Gonzaga Motta, da Universidade de Brasília.
O professor da UnB ainda cita exemplos de ofensas que não rendem votos. Para ele, o candidato do PSC, Joaquim Roriz, não ganhou nada quando declarou que “vermelho é a cor do capeta”, referindo-se ao PT, partido do seu adversário Agnelo Queiroz. A mesma coisa acontece com o petista, que abre seu programa eleitoral questionando a validade da candidatura do seu oponente.
“Acusações são agressões e o eleitor não quer ver isso”, avalia. O cientista político João Paulo Peixoto, também da UnB, é mais um que acredita que os duelos verbais pela TV não ajudam os candidatos a vencer a disputa de 3 de outubro. “Os candidatos têm que apresentar propostas, vender o peixe deles. O eleitor espera isso de um horário eleitoral: conhecer melhor os postulantes”, explica.
Para Peixoto, as insinuações e ataques dos postulantes terminam por afastar o interesse do eleitor pela política. “As pessoas acabam não levando a sério nem um, nem outro”. Ele afirma também que as ofensas no horário eleitoral são um acerto de contas do mundo político e não dizem respeito aos eleitores.
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