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Política & Poder

MDB decide não apoiar nenhum candidato ao Planalto e libera diretórios para definir apoios

Havia um desejo do PT de atrair o partido para a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, segundo fontes do MDB, nunca houve uma negociação de fato, apenas movimentações por parte dos petistas

Redação Jornal de Brasília

27/07/2026 13h44

Foto: Vvale

O MDB decidiu, em convenção nacional realizada nesta segunda-feira, 27, não apoiar nenhum candidato à Presidência da República nas eleições deste ano e liberar os diretórios estaduais para definir seus apoios conforme a realidade local.

Havia um desejo do PT de atrair o partido para a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, segundo fontes do MDB, nunca houve uma negociação de fato, apenas movimentações por parte dos petistas.

A possibilidade de liberar os Estados foi admitida pelo presidente do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP), em entrevista ao Estadão no início do ano. Ao ser questionado sobre o posicionamento do partido no pleito nacional, respondeu: “Hoje, se houver uma eleição absolutamente polarizada, eu acho que a tendência do MDB é realmente, em nível nacional, liberar.”

A liberação foi a saída encontrada pela legenda para conciliar suas divisões internas. No Nordeste e em parte do Norte, o partido tende a se alinhar com o governo Lula, enquanto no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste há maior resistência a uma aliança com o PT. Nesse contexto, o apoio formal a um dos candidatos poderia provocar um racha interno.

“A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos Estados tenha um resultado bastante positivo”, disse Baleia, na convenção. “Nossa vontade sempre é ter candidatura própria, mas vivemos um momento de muita radicalização, e o MDB tem essa característica de ter uma posição sempre equilibrada para fazer a diferença nas grandes discussões do País. Tendo uma força significativa no Congresso Nacional, vamos conseguir ajudar o País a avançar, crescer e se desenvolver.”

Durante a convenção, integrantes da legenda elogiaram a decisão e reconheceram a dificuldade de apoiar um candidato em um cenário de forte polarização política.

O deputado federal Hildo Rocha (MA) afirmou que ter um candidato próprio iria “desunir o partido”. Gabriel Souza, vice-governador do Rio Grande do Sul, foi no mesmo sentido: “O MDB é plural no Brasil inteiro. Cada diretório tem seus contextos e temos que respeitar essas conjunturas, na medida em que não temos candidato próprio”, afirmou Gabriel, que declarou apoio ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).

Também houve defesa para que o partido volte a lançar um nome próprio ao Palácio do Planalto em 2030. Representantes do diretório do Rio Grande do Sul chegaram a sugerir que o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, seja o candidato da legenda. A proposta foi endossada por outros integrantes do partido durante os discursos.

Ao abrir mão de firmar uma aliança nacional, o MDB concentra seus esforços nas disputas estaduais – com 10 candidatos a governador e seis a vice – e no fortalecimento de sua bancada no Congresso Nacional, para a qual lançou 20 candidatos ao Senado. A meta da legenda é eleger 50 deputados federais e de 10 a 12 senadores.

Estadão Conteúdo.

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