A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, defendeu hoje (10) que sejam dados incentivos fiscais para empresas e projetos que valorizem práticas sustentáveis. Ao visitar a microempresa Bioware, que produz máquinas que transformam resíduos orgânicos, como bagaço e palha de cana e até casca de arroz, em combustíveis e carvão, Marina falou da necessidade de se transformar “boas práticas” como essa em políticas públicas. A empresa campineira nasceu a partir de estudos desenvolvidos pela Universidade de Campinas (Unicamp).
“O que ela [a empresa] precisa? Incentivos. Precisa de apoio para ganhar escala, produzir e baratear custos. E precisa de um investimento fundamental: a consciência”, disse a candidata.
Para Marina, uma maneira de se incentivar trabalhos como os que são desenvolvidos pela Bioware é fazer com que prefeituras adquiram produtos sustentáveis. “Se esses produtos aqui produzidos passassem a fazer parte da agenda ou do cardápio de compras das prefeituras e do governo do estado, já estaria se incentivando a produção numa escala altamente significativa”, afirmou.
Segundo a candidata, sua proposta não prevê que as prefeituras sejam obrigadas a adquirir produtos sustentáveis, mas pretende estimular a compra destes por meio de uma “educação ambiental”, que começaria com a própria população exigindo dos políticos para que deem preferência à utilização de produtos sustentáveis.
Marina também comentou a operação da Polícia Federal (PF) que prendeu o governador do Amapá e outras pessoas acusadas de corrupção. Ela exaltou o trabalho desenvolvido pela PF e lamentou o envolvimento do governador, de servidores e empresários em desvio de dinheiro público. “É lamentável que tenhamos uma situação como essa [que envolve] o Tribunal de Contas, a Assembleia Legislativa, o governo do estado e não sei se ficou alguém para contar a história”.
Para a candidata, a corrupção deve ser combatida em todo o Brasil com o funcionamento adequado das instituições, inclusive das que atuam na fiscalização. “Para combater o erro, é [preciso] transparência, funcionamento das instituições e a combinação de indivíduos virtuosos e instituições virtuosas. Os indivíduos falham em suas virtudes, mas quando eu falhar, tem que ter uma instituição para corrigir”, afirmou.
Depois da visita à microempresa fabricante de máquinas para a produção de biocombustíveis, a candidata inaugurou mais uma Casa de Marina, no Jardim Petropólis, em Campinas. No final da tarde, ela participou de uma caminhada no centro da cidade.