A candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva, criticou hoje a política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o Irã, um país que “não respeita os direitos humanos” e “persegue a bomba atômica quase como um objetivo”.
“O Brasil, como signatário do protocolo de não-proliferação (nuclear), deve ter uma postura firme e contrária a essa política, e, além disso, sempre deve sustentar a defesa dos direitos humanos, independentemente de alinhamentos políticos”, disse Marina.
A ex-ministra do Meio Ambiente de Lula afirmou que, por esses motivos, Lula “não deveria” ter se reunido com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
Em seu ataque mais direto até agora à política externa de Lula, Marina disse que o diálogo “é desejável” e “não pode ser condenado”, mas que, em sua opinião, nunca pode esquecer o respeito dos direitos humanos.
Já sobre a América Latina, a candidata do PV defendeu que o Brasil deve assumir um papel de “liderança” para atuar como “negociador” nos conflitos regionais.
No entanto, afirmou que o Brasil deve tratar os países vizinhos “sem uma atitude pretensiosa” e com respeito ao princípio de “não ingerência” nos assuntos internos, em busca da defesa da “paz e da democracia” na região.
Marina disse que ela representa uma “nova forma de liderança” que permitirá passar do “atual” modelo de desenvolvimento “predador” para um “sustentável”.
A candidata do PV foi especialmente crítica à maneira que o meio ambiente é tratado no desenvolvimento de infraestruturas e programas energéticos.
“É possível elaborar um plano de infraestrutura que além de viabilidade econômica tenha viabilidade ambiental, social e cultural”, defendeu.
Marina rejeitou a construção de novas usinas nucleares e apoiou que o Brasil continue extraindo petróleo em águas profundas, “em condições seguras”.
“Infelizmente, a humanidade não pode renunciar aos combustíveis fósseis, mas não podemos nos acomodar. O que defendemos é que sejam utilizadas as melhores tecnologias, as melhores práticas e o maior rigor no princípio de precaução na extração para evitar que ocorra aqui o que aconteceu no Golfo do México”, disse.