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Política & Poder

Lulinha esteve 18 vezes no Palácio do Planalto desde 2023, segundo registros da LAI

Visitas ocorreram em 15 dias diferentes e somaram mais de 23 horas; PF investiga mensagens que apontam contatos do empresário com integrantes do governo

João Victor Rodrigues

19/08/2026 6h47

Lulinha

Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, esteve ao menos 18 vezes no Palácio do Planalto desde 2023. Os acessos ocorreram em 15 dias distintos, entre junho de 2023 e janeiro de 2025, segundo dados fornecidos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Ao todo, as permanências registradas somaram 23 horas e 26 minutos.

A documentação ganha destaque diante de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o empresário. De acordo com mensagens apreendidas pelos investigadores, Lulinha mantinha contato com pessoas próximas ao núcleo do governo e teria participado de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.

As mensagens também mostram diálogos entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, que, conforme apontam os investigadores, atuava junto a empresários interessados em obter influência para a celebração de contratos públicos. A PF identificou repasses de R$ 1,5 milhão feitos por Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a Roberta. Em uma das transferências, o empresário teria indicado que os recursos seriam destinados ao “filho do rapaz”, expressão interpretada pelos investigadores como possível referência a Lulinha.

Em outro diálogo, Lulinha orienta Roberta a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas, proprietário da 3Structure It Ltda., empresa que acumulou mais de R$ 80 milhões em contratos com o governo federal, segundo a investigação. Também há registros de mensagens nas quais ele pede que a lobista convide Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para um encontro na Bahia. Procurado, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que as visitas de Lulinha ao Planalto foram para encontrar amigos e o pai e negou que ele tenha tratado de assuntos relacionados à administração pública. A Secom declarou que os acessos tiveram caráter privado e não produziram desdobramentos administrativos.

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