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Política & Poder

Lula vê ação para Dilma ‘não concluir mandato’

Arquivo Geral

07/02/2015 8h13

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou sua participação na reunião do diretório nacional do PT, ontem, em Belo Horizonte, para defender o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, e, sem citar nomes, afirmar que há uma intenção de impedir que a presidente Dilma Rousseff conclua seu mandato.

Em discurso no ato de comemoração dos 35 anos do partido, porém, deu uma indireta no PSDB ao declarar que os adversários “não querem mais esperar outra derrota” e, “na falta de votos, buscam atalhos para o poder, manipulando a opinião pública e constrangendo as instituições”. A presidente, por sua vez, falou em “golpismo” dos “inconformados com o resultado das urnas”.

“Não é fácil um partido de esquerda governar um país importante como o Brasil. Eles não querem nem deixar concluir o mandato da Dilma, tentando criar todo e qualquer processo de desconfiança. Querem que o PT seja desacreditado na sociedade brasileira”, afirmou Lula, segundo a Agência PT de Notícias. “A quarta derrota eleitoral consecutiva despertou os mais baixos instintos dos nossos adversários”, acrescentou ao discursar para uma plateia de cerca de dois mil militantes.

Dilma, que discursou logo após o antecessor, também apontou para setores que não aceitaram a derrota eleitoral. “Nós temos força para resistir ao oportunismo e ao golpismo inclusive quando ele se manifesta de forma dissimulada. Os que são inconformados com o resultado das urnas só têm medo de uma coisa: da mobilização da sociedade em defesa das instituições e em repúdio a qualquer tentativa de golpe contra a manifesta vontade popular.”

Os dois principais expoentes petistas reforçaram a tese de golpe por causa da condução coercitiva de Vaccari, que na quinta-feira foi levado à Polícia Federal para prestar depoimento no âmbito da Lava Jato por ordem da Justiça. Ele também participou do evento ontem.

O tesoureiro é investigado por suspeitas de intermediar a arrecadação de propinas ao PT por meio de um esquema de corrupção e de cartel na Petrobrás. “O que aconteceu ontem (anteontem) é repugnante”, afirmou Lula, conclamando o PT a “voltar pra luta”. “Não podemos permitir que quem não tem moral venha dar moral na gente.”

Mensalão

Lula, segundo relatos colhidos pelo Estado, comparou as denúncias investigadas pela Lava Jato ao mensalão. “Se a ficarmos quietos, a sentença já está dada.” Para o ex-presidente, há uma tentativa de “criminalizar” a legenda. De acordo com participantes da reunião, fechada à imprensa, ele disse que o partido precisa reagir, sob o risco de o Judiciário “julgar (os crimes investigados pela Lava Jato) pela pressão que se cria na sociedade e não pela lei”.

Na reunião, Lula defendeu o sistema de arrecadação de recursos para o partido e atacou o ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco – delator que citou Vaccari -, a quem se referiu como “bandido”. E voltou a reclamar da cobertura feita pela imprensa sobre a Lava Jato. Segundo ele, embora Barusco tenha admitido que o esquema de propinas na estatal começou em 1997, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), apenas os casos envolvendo gestões petistas foram destacados.

Um informe elaborado por Vaccari foi apresentado durante o encontro. No texto, ele falou sobre as finanças do partido e estimou que a legenda vai perder R$ 10 milhões ao ano em receita por causa da diminuição da fatia do Fundo Partidário a que a sigla tem direito. A previsão de queda do recurso, repassado pela União a todas os partidos, é menor em razão da diminuição da bancada na Câmara e do aumento do número de partidos no País.

A economia inclusive começou nos festejos de 35 anos do partido, já que alguns dirigentes viajaram de carro para Belo Horizonte porque a legenda alegou não ter dinheiro para pagar passagens aéreas.

Ajuste

Lula e Dilma aproveitaram seus discursos para dar satisfação à militância a respeito das ações adotadas nos primeiros dias do novo mandato que contrariaram principalmente o setor sindical do partido e movimento sociais. “Não fazemos reequilíbrio fiscal só por fazer. Fazemos reequilíbrio para manter o nível de emprego e renda”, afirmou a presidente.

Já Lula fez uma comparação com o tratamento de um câncer pelo qual passou para defender medidas “duras” e “amargas” que, de acordo com ele, são necessárias para “garantir avanços”. Ao citar as sessões de quimioterapia e radioterapia a que teve de se submeter, disse que não houve “nada pior” na vida. “Mas eu era disciplinado e precisava para estar aqui bonitão”, brincou.

Em meio a boatos de dificuldade de relação, Lula e Dilma conversaram bastante antes do evento. A presidente e o antecessor, no entanto, não tiveram nenhuma reunião privada e estiveram sempre acompanhados pelo ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica ou por outros participantes da cerimônia.

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    Arquivo Geral

    06/02/2015 22h26

    Em sua primeira participação numa reunião do Diretório Nacional do PT desde que o partido chegou ao governo federal, em 2003, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira, 6, o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, e disse, sem citar nomes, que há uma intenção de impedir que a presidente Dilma Rousseff conclua seu mandato.

    “Não é fácil um partido de esquerda governar um país importante como o Brasil. Eles não querem nem deixar concluir o mandato da Dilma, tentando criar todo e qualquer processo de desconfiança. Querem que o PT seja desacreditado na sociedade brasileira”, afirmou Lula, segundo a Agência PT de Notícias.

    Vaccari, que na quinta-feira, foi levado à Polícia Federal para prestar depoimento no âmbito da Lava Jato, também participou do evento. O tesoureiro é investigado por suspeitas de intermediar a arrecadação de propinas ao PT por meio de um esquema de corrupção e de cartel na Petrobrás. “O que aconteceu ontem (anteontem) é repugnante”, afirmou Lula, conclamando o PT a “voltar pra luta”. “Não podemos permitir que quem não tem moral, venha dar moral na gente.”

    Lula, segundo relatos colhidos pelo jornal O Estado de S.Paulo, comparou as denúncias investigadas pela Operação Lava Jato ao episódio do mensalão. “Se a ficarmos quietos, a sentença já está dada.”

    “A briga é política. O PT tem que ter essa consciência. Tem que usar a tribuna, tem que responder, tem que votar, tem que gritar tanto quanto eles, tanto na Câmara, quanto no Senado”, disse o ex-presidente, conforme a agência do PT.

    Para Lula, há uma tentativa de “criminalizar” a legenda. De acordo com participantes da reunião, fechada à imprensa, ele disse que o partido precisa reagir, sob o risco de o Judiciário “julgar (os crimes investigados pela Operação Lava Jato) pela pressão que se cria na sociedade e não pela lei”.

    As declarações de que propinas abasteceram o partido foram dadas pelo ex-gerente de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco em delação premiada aos investigadores da Lava Jato. Segundo ele, o partido arrecadou, por intermédio de Vaccari, até US$ 200 milhões a partir do esquema de desvios.

    Aos presentes, Lula defendeu o sistema de arrecadação de recursos para o partido e atacou Barusco, a quem se referiu como “bandido”. “O PT arrecadou, sim, mas arrecadou legalmente. Os outros partidos também arrecadaram mas deles ninguém fala. Existe uma articulação para criminalizar o PT”, insistiu.

    Na mesma reunião, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), também dirigiu parte do seu discurso para defender Vaccari. Aplaudido diversas vezes em sua fala, Pimentel também recebeu aplausos quando pediu solidariedade ao tesoureiro do partido.

    O ex-presidente voltou a reclamar da cobertura feita pela imprensa sobre a Lava Jato. De acordo com ele, embora Barusco tenha admitido que o esquema de propinas na estatal começou em 1997, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), apenas os casos envolvendo gestões petistas foram destacadas.

    Contas

    Um informe elaborado por Vaccari foi apresentado durante o encontro. No texto, ele falou sobre as finanças do partido e estimou que a legenda vai perder R$ 10 milhões ao ano em receita por causa da diminuição da fatia do Fundo Partidário a que a sigla tem direito. A previsão de queda do recurso, repassado pela União a todas os partidos, é menor em razão da diminuição da bancada na Câmara e do aumento do número de partidos no País.

    No informe, Vaccari sugeriu que o PT terá de “apertar o cinto”. A economia inclusive começou nos festejos do partido, já que alguns dirigentes viajaram de carro para Belo Horizonte porque o partido alegou não ter dinheiro para pagar passagens aéreas a eles.

    Na capital mineira, o ex-presidente participou, ao lado de Dilma e do ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica, da festa de aniversário de 35 anos do PT. Vaccari também estava no palco do evento, realizado no Minascentro, na região central da capital mineira.

    Panelaço

    Um grupo contrário ao PT promoveu um “panelaço” em frente ao centro de convenções. A manifestação foi montada na porta do local e por pouco não houve confusão com as centenas de petistas e simpatizantes que chegavam ao local. Para evitar confronto, a Polícia Militar fez um cordão de isolamento e deixou manifestantes pró-PT de um lado da Avenida Augusto de Lima e os contrários ao partido, no canteiro central.

    Segundo a Polícia Militar, cerca de 80 pessoas protestaram contra Dilma e Pimentel. Entre os manifestantes estavam integrantes da Juventude do PSDB e pessoas que trabalharam nas campanhas tucanas de Aécio Neves à Presidência e de Pimenta da Veiga ao Executivo estadual.

    Um militante petista, cujo nome não foi revelado, foi preso por arremessar um saco de farinha em direção ao protesto contrário ao PT.

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