O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende aproveitar a visita que fará a Lima em 11 de dezembro para conversar sobre a iniciativa de seu colega peruano, Alan García, de que a União de Nações Sul-americanas (Unasul) conte com um Protocolo pela Paz e a Segurança.
“Lula manifestou apoio à iniciativa e pediu aos colaboradores que incluam o assunto na agenda da reunião com o presidente Alan García em Lima em 11 de dezembro”, disse à Agência Efe o ministro peruano de Transportes e Comunicações, Enrique Cornejo.
Segundo Cornejo, que hoje entregou uma carta na qual García formaliza a proposta ao colega brasileiro, em São Paulo, Lula se comprometeu em fornecer uma resposta por escrito para expressar as observações à iniciativa.
“Evidentemente não podíamos deixar de comentar as declarações feitas ontem pelo presidente venezuelano (Hugo Chávez) e Lula disse que a América do Sul precisa de um espaço de confiança para evitar este tipo de tensão”, acrescentou Cornejo, após uma reunião de quase uma hora com o presidente brasileiro.
Durante seu programa de rádio dominical, Chávez pediu aos militares e civis do país que se preparam para entrar em guerra, diante de um eventual ataque dos Estados Unidos a partir da Colômbia.
“O presidente Lula disse que esse tipo de declaração fortalece a ideia para aumentar os esforços para garantir um espaço de confiança e assegurou que todo tipo de esforço nesse sentido é importante”, acrescentou o ministro.
O presidente peruano encarregou vários ministros da tarefa de promover sua proposta para que os países da Unasul assinem um Protocolo pela Paz, a Segurança e a Cooperação.
O Governo peruano propõe que os países da Unasul se comprometam em reduzir em 3% a despesa militar, que cortem em 15% a compra de armas em um prazo de cinco anos e que cooperem para a criação de um corpo de segurança regional.
“Lula foi receptivo às propostas de criação de um espaço que gere confiança em temas de armamento e despesas de defesa, e na criação de uma força de paz sul-americana, uma espécie de capacetes azuis sul-americanos, no Conselho de Defesa da Unasul”, conforme o ministro peruano.
Pelos cálculos do Governo peruano, a economia pela redução dos gastos em defesa e em armas pode ser revertida para a diminuição da pobreza a pelo menos 10 milhões de sul-americanos.
O ministro acrescentou que no encontro, Lula também abordou os temas da agenda bilateral, principalmente o acordo em negociação para que o Brasil construa várias hidroelétricas em território peruano.
“Os ministros de Energia dos dois países estão trabalhando nesse assunto e a ideia é poder chegar em 11 de dezembro com um acordo avançado nesse ponto”, afirmou.
Acrescentou que outros assuntos tratados hoje e que serão ampliados durante a visita de Lula ao Peru serão as obras de infraestrutura para completar a interconexão bioceânica e a cooperação para completar essas vias com corredores fluviais.
Na reunião também se falou da possibilidade de criar voos além das fronteiras regionais que permitam conexões entre cidades como Cuzco e Rio Branco e Iquitos e Manaus.