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Política & Poder

Lula pede mais atenção dos EUA à América Latina e maior compromisso com clima

Arquivo Geral

26/11/2009 0h00


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reivindicou hoje mais atenção dos Estados Unidos para a América Latina e objetivos mais ambiciosos contra a mudança climática, em entrevista concedida à Agência Efe na qual também falou de suas propostas para a próxima Cúpula Ibero-Americana.

A 19ª Cúpula Ibero-Americana será realizada segunda-feira e terça-feira em Estoril (Portugal) sob o lema “Inovação e Conhecimento”, ferramentas que Lula definiu hoje como fundamentais para a competitividade dos países que integram essa associação.

“A inovação é uma condição básica para que sejamos mais competitivos. Precisamos ter na região ibero-americana uma decisão dos Governos de pôr dinheiro para financiar a inovação das empresas” e, desta forma, “ser competitivos no mundo globalizado”, expressou.

Segundo Lula, seu Governo tem muito interesse em “mostrar aos pequenos e médios empresários que a alta competitividade de que precisam para sua inserção no mercado global exige inovação”.

Vestido com calças claras e camisa branca, Lula recebeu a Efe em Manaus, onde se hoje reuniu com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com representantes dos países amazônicos para discutir uma proposta conjunta para a Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, marcada para dezembro em Copenhague.

Nesse sentido, considerou que o anúncio da Casa Branca de que o presidente americano, Barack Obama, vai à capital dinamarquesa para apresentar o compromisso dos EUA de reduzir as emissões de gases poluentes em 17% para 2020 frente aos níveis de 2005 é “muito abaixo” do que se espera da maior potência mundial.

“Acho que a proposta do presidente Obama talvez seja o máximo que ele pode fazer em função das circunstâncias políticas internas, mas está muito abaixo daquilo que é a responsabilidade histórica e o papel dos EUA neste mundo globalizado, assim como está muito abaixo a proposta dos países desenvolvidos da Europa”, disse Lula.

Para o presidente brasileiro, é preciso dar tempo a Obama para que cumpra o que prometeu, mas nem por isso se deixará de exigir dos países que mais poluem, especialmente dos EUA e da China, um maior compromisso com o meio ambiente diante da oportunidade representada pela reunião de Copenhague.

No que diz respeito às relações dos EUA com a América Latina, Lula recomendou que Washington “olhe para a família periférica que faz parte da família americana e que muitas vezes depende das decisões americanas”.

Segundo Lula, apesar de a política externa de Obama ter sido alvo de críticas de membros de seu Governo, “o Brasil tem uma relação extraordinária com os EUA”, ao ponto de ter convidado o presidente americano a visitar o país por duas vezes.

Lula também falou sobre a experiência brasileira com a crise econômica e disse que sua Administração tomou as medidas corretas para enfrentar a situação e superá-la sem os estragos causados em outras nações.

“Trabalhamos com a ideia de que a crise acabou, mas estamos em alerta para dar uma resposta imediata” no caso de qualquer novo sobressalto na economia mundial, afirmou o presidente, ao ressaltar que o Brasil fechará este ano com mais de 1,3 milhão de novos empregos formais, “um dado extraordinário em um momento no qual se destrói emprego no mundo”.

A mesma confiança demonstrada em relação ao futuro da economia brasileira Lula deixou transparecer ao falar da integração sul-americana, sobre a qual disse que demorará “entre cinco e dez anos” para ser consolidada.

“Há um tempo de amadurecimento da confiança entre os Governos, depois entre os políticos, mais tarde entre os empresários e (por último) do povo com os povos de outros países”, argumentou.

Sobre o processo de paz no Oriente Médio, ao qual foi convidado para atuar como mediador pelos presidentes de Israel, da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e do Irã, Lula opinou que, se o objetivo é conseguir uma solução definitiva para o conflito entre o Estado judeu e os palestinos, é preciso conversar com “atores que não querem a paz”, como o movimento islamita Hamas.

“Notei que todas as reuniões são feitas com quem quer a paz, mas se quem não quer a paz não se sentar à mesa de negociação para estabelecer um paradigma aceitável para todos, nunca haverá paz”, afirmou.

Lula também falou com a Efe sobre seu futuro após o término de seu segundo mandato, que acaba ao final de 2010, e disse que continuará dedicado à política, mas não pensou na possibilidade de concorrer à Presidência em 2014, quando poderia ser novamente candidato ao cargo.

“O que vou fazer, não sei. A única coisa de que tenho certeza é de que vou continuar fazendo política”, contou o presidente, para quem “seria uma imprudência” de sua parte pensar em voltar a ser candidato em 2014.

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