O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso de gratidão aos movimentos sociais reunidos no Palácio do Planalto hoje e pediu a eles que mantenham a união para que ajude a presidente eleita, Dilma Rousseff, a fazer mais pelo País.
“É uma reunião em que eu poderia apenas fazer agradecimentos”, disse. “Eu vim do meio de vocês. Conheço de cor e salteado os problemas que vocês vivenciam todo dia. Não existem coisas que vocês passem que eu não passei”, ressaltou o presidente para uma plateia de representantes de entidades ligadas a defesa da mulher, do negro, de GBLT, entre outros.
Para Lula, a sua origem “fez a diferença” como presidente da República, inaugurando no País um nova fase na relação entre Estado e sociedade. “Um dos maiores legados que um presidente da República pode deixar é a mudança no relacionamento entre o Estado e a sociedade, entre o governo e as instituições sociais. Há companheiros que, em 30 anos, nunca tiveram uma audiência com um presidente da República”, disse, ressaltando que no seu governo isso mudou.
O presidente Lula destacou como uma grande mudança no País a eleição de Dilma Rousseff presidente do Brasil. Segundo ele, uma ideia difícil de ser aceita devido ao preconceito e à falta de hábito no País de se valorizar quem não tem experiência. “No Brasil não existe o hábito de se dar oportunidade para quem não tem experiência. A Dilma era a novidade. E a novidade emplacou. Mas não tinha ocorrido antes por causa do preconceito. O preconceito é uma coisa raivosa”, disse. “E foi assim (superando o preconceito) que nós conseguimos eleger uma mulher como a primeira presidente do Brasil”, acrescentou.
Lula encerrou o discurso agradecendo muito a todos os movimentos e as centrais sindicais, que para ele foram sempre “solidários”, mesmo nos momentos mais difíceis de seu governo. “Eu sei de onde vim e sei para onde vou. Sei quem eram os meus amigos antes de ser presidente da República. Vocês me ajudaram. Mesmo quando me fizeram críticas, me ajudaram a enxergar o caminho”, reconheceu Lula.
Para o presidente, a atuação dos vários movimentos sociais ajudou o governo a melhorar a relação, o diálogo, com todos os segmentos da sociedade, “com a mulher, com o negro, com os GBLT”. Ele reafirmou que vai continuar fazendo política. Disse que vai descansar por uns três meses, mas depois “vamos (ele e os movimentos sociais) ajudar a companheira a fazer muita coisa boa pelo País”. “O importante para isso é não perder a união”, aconselhou.