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Política & Poder

Lula inicia articulação com Congresso e busca apoio do Centrão para próximo mandato

Reunião com Hugo Motta e Davi Alcolumbre marca primeiros movimentos do presidente reeleito; composição ministerial e disputas pelo comando das Casas legislativas devem influenciar as negociações

João Victor Rodrigues

27/10/2026 6h45

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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a organizar sua base política para o próximo mandato com uma reunião com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O encontro ocorreu na segunda-feira (26/10), no Palácio da Alvorada, e durou cerca de duas horas. Apesar de seus partidos terem apoiado Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, os dois parlamentares apoiaram a reeleição de Lula e devem atuar como interlocutores entre o governo e o Centrão.

Após a reunião, Motta afirmou nas redes sociais que foi ao Alvorada para cumprimentar o presidente e reafirmar o compromisso com a harmonia entre os Poderes. O deputado também defendeu a cooperação entre Executivo e Legislativo para avançar nas pautas nacionais. Tanto ele quanto Alcolumbre buscam apoio para continuar à frente das respectivas Casas a partir de fevereiro de 2027, cenário que pode influenciar as negociações com o Planalto. A aproximação, porém, ainda não significa um acordo formal entre Lula e as direções partidárias.

O Centrão começa a discutir como se posicionará diante do novo governo. O Republicanos e a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, apoiaram Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. No PP, a senadora Tereza Cristina (MS) sinalizou que pretende fiscalizar o governo e atuar na oposição, enquanto o senador eleito Arthur Lira (AL) defendeu diálogo e responsabilidade após reconhecer o resultado das urnas. A divisão de posições indica que Lula terá de negociar apoio parlamentar sem contar com adesão automática das siglas que participaram da coalizão de seu terceiro mandato.

A composição da Esplanada dos Ministérios será um dos principais pontos dessas conversas. Lula deverá conciliar a entrada de partidos de centro com a manutenção de aliados históricos que não conseguiram se eleger em 2026. Entre os nomes citados nas articulações estão Gleisi Hoffmann (PT), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), João Campos (PSB), Fernando Haddad (PT) e Randolfe Rodrigues (PT). A necessidade de acomodar esses quadros pode limitar o espaço disponível para ampliar a participação de outras legendas no Executivo.

Outra negociação envolve a vaga ainda pendente no Supremo Tribunal Federal (STF). O nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco voltou a circular como possível alternativa para aproximar Lula de Alcolumbre, depois que a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, foi rejeitada pelos senadores. Até o momento, não há uma nova escolha anunciada. No Congresso eleito para 2027, o PL terá 121 das 513 cadeiras da Câmara, contra 70 do PT; no Senado, serão 29 parlamentares do PL e 10 do PT. A correlação de forças reforça o desafio do presidente para construir maioria e aprovar propostas que dependem de apoio amplo dos congressistas.

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