Brasília, approved 22 nov (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, buy expressou hoje seu “mal-estar” a seu colega do Equador, page Rafael Correa, pela decisão de levar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional, informaram fontes oficiais do Governo.
Lula ligou para Correa e manifestou sua “surpresa” pela mudança na atitude do Governo equatoriano, o que levou o Brasil a chamar para consultas seu embaixador em Quito, Antonino Marques Porto, disseram à Agência Efe fontes oficiais.
Correa, por sua vez, “lamentou” a decisão de Brasília, que complicou ainda mais as relações entre os dois países, mas assegurou que não mudará de opinião, acrescentaram porta-vozes da Presidência consultados pela Efe.
Durante a conversa, que foi “breve”, nem Lula nem Correa se mostraram dispostos a ceder e o chamado para consultas de Marques Porto se mantém.
O diplomata chegou hoje a Brasília e durante o fim de semana terá diversas reuniões com membros do Governo para explicar a situação.
A decisão de convocar o embaixador em Quito foi anunciada ontem pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, depois que Correa ameaçou com não pagar uma dívida contraída com o BNDES.
“O Governo brasileiro recebeu com muita preocupação a notícia da decisão do Governo equatoriano de iniciar um julgamento arbitral perante a Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional visando a suspender o pagamento dessa dívida”, disse Amorim, ao ler pessoalmente este comunicado oficial.
A ação anunciada pelo Equador refere-se a um crédito de US$ 286,8 milhões concedido pelo BNDES para financiar a represa hidroelétrica de San Francisco, construída pela empreiteira brasileira Odebrecht.
A obra foi inaugurada em meados de 2007 e deixou de funcionar em junho deste ano, devido a erros estruturais pelos quais o Governo do Equador responsabilizou a Odebrecht, que Correa “expulsou” do país.
Segundo as fontes consultadas pela Efe, Lula também lamentou em sua conversa com Correa que “todas as decisões” do Equador tenham sido anunciadas à imprensa, sem que tenha havido nenhuma consulta prévia às autoridades brasileiras.
Amorim ressaltou ontem que “a natureza e a forma das medidas adotadas pelo Governo equatoriano não corresponde ao espírito de diálogo, amizade e de cooperação das relações entre Brasil e Equador”.
Em declarações à “Globonews”, o chanceler reiterou hoje sua “preocupação” com o assunto, e disse que a crise com o Equador “é séria e escapa da rotina diplomática”.
Por sua vez, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou que decisões como a adotada pelo Governo do Equador “afetam o grau de confiança dos contratos” assinados entre os dois países.
No entanto, disse que acredita que a crise será superada e sustentou que não é um problema que possa levar a uma “ruptura de relações”.