O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que completa dois mandatos com uma popularidade próxima a 80%, assegurou que “se dependesse da imprensa” sua aprovação seria negativa e disse confiar em que o pleito deste domingo será favorável a Dilma Rouseff, publica hoje o jornal mexicano “La Jornada”.
“Vou terminar meu mandato sem ter comido com o dono de um jornal, o dono de uma emissora, o dono de uma revista”, disse Lula na entrevista publicada hoje pela “Jornada”.
Lula criticou que uma parte dos meios de comunicação do Brasil não quis reconhecer o que aconteceu de bom nos últimos anos no Brasil: “É preciso falar das coisas boas do Governo quando elas acontecem, para ter credibilidade quando se fala das más”.
No entanto, reconheceu que a imprensa contribuiu muito para que ele chegasse onde está agora.
Lula se pronunciou também sobre a relação da imprensa com o Poder Executivo: “Não acho que o Estado deve ter um meio oficial de transmissão, deve ter uma televisão pública que tenha uma programação de qualidade, competitiva”, indicou.
O presidente do Brasil considerou que se um meio só louva o Governo, “termina sem ter credibilidade”. Também não acredita nas transmissões obrigatórias dos discursos do presidente por emissoras de rádio e TV.
“Tenho um programa de rádio de cinco minutos, todos as segundas-feiras. No domingo à noite gravo tudo e transmite quem quiser transmitir, não é obrigação”, comentou.
Lula se referiu também ao momento que vive a América Latina e aos líderes de outros países com os quais compartilhou seu tempo no poder.
“A verdade é que a Venezuela melhorou com Hugo Chávez”, afirmou sobre o presidente venezuelano.
Considerou, em alusão aos recentes pleitos legislativos na Venezuela, nos quais o Governo manteve no Parlamento a maioria que ostenta desde 2005, embora tenha perdido o controle de dois terços da Câmara, que “vai ser bom para Chávez, porque precisará exercitar o debate político com mais força, exercer a democracia”.
Sobre a Argentina, Lula indicou que “os Kirchner, tanto Néstor (ex-presidente), como Cristina (atual governante), têm seu estilo de governar. O dado concreto é que a Argentina está melhorando, esse é um dado concreto e objetivo”, para afirmar depois o mesmo sobre a Bolívia, de Evo Morales.
Lula disse na entrevista confiar que as eleições presidenciais de hoje sejam favoráveis para sua companheira de partido, Dilma Rouseff, e que ela possa concluir o trabalho começado por ele, especialmente a “revolução” em matéria de política social.
Por último, Lula apontou que não tem interesse em voltar a fazer política dentro do Partido dos Trabalhadores. “Não quero retornar a ser um quadro do partido, fazer reuniões dentro do partido”. O presidente pretende focar em “uma ou duas prioridades” e em alguma atividade internacional.