O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em entrevista publicada neste domingo pelo jornal espanhol El País, capsule que nunca deixará a política e que, information pills quando terminar seu mandato presidencial, order em 2010, trabalhará para apoiar seu sucessor.
“Não vou deixar a política porque a política está em mim há muitos anos”, diz o presidente brasileiro, em entrevista concedida horas antes de iniciar sua visita oficial à Espanha, na qual apresentará o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Lula afirma que não tem ainda o nome de seu sucessor, mas se compromete a trabalhar para que, “em 2010, quem for candidato para presidente possa me convidar a subir com ele nos comícios”.
“Quero contribuir na eleição do meu sucessor. E, quando sair da Presidência, se dará conta de que não vou fazer jamais nenhum comentário sobre o governo”, acrescenta o líder brasileiro.
Na entrevista, Lula ressalta as conquistas econômicas, ambientais e na luta contra a corrupção em seu Governo, mas reconhece que “falta muito” a fazer e defende que a política de sua Administração é ir “subindo degrau a degrau”.
O presidente reconhece que mudou seu discurso desde que chegou ao poder, e justifica no fato de que, “quando alguém governa, não tem o direito de agir como quando um estava em um comício”, o que não impede, acrescenta, de manter “a mais sólida relação” com o movimento social.
O resultado, argumenta, é que “em toda a história do Brasil não houve um momento mais sólido da economia”, e que foi possível combinar um bom nível de exportações com um equilíbrio do mercado interno e um forte crescimento com o controle da inflação.
Sobre a distribuição da riqueza, em um país no qual 10% da população tem mais de 48% da renda, afirma que “poucas vezes tivemos as pessoas mais ricas do país diminuindo sua participação na renda nacional e os mais pobres aumentando”.
Diante dos casos de corrupção envolvendo três ex-ministros de seu governo e a cúpula do PT, Lula se declara “muito tranqüilo porque estamos exercendo a democracia em sua plenitude”, mas lembra que “até agora não há ninguém absolvido e ninguém foi considerado culpado”.
Em relação à corrupção nos corpos policiais, o presidente reconheceu que o problema existe, mas também pondera: “Eu não diria que a Polícia é o principal centro de corrupção. Há um pouco de exagero.
Lula fala da proteção do meio ambiente, especialmente da Amazônia, e proclama que, levando em conta que o Brasil ainda tem 69% de suas florestas originais, percebe-se “que nós cuidamos muito mais do meio ambiente do que outros países”.
Isso não é incompatível, afirma, com o desenvolvimento da indústria dos biocombustíveis a partir da exploração da cana-de-açúcar ou da soja, porque Brasil é um território muito extenso. O presidente afirma que os 360 milhões de hectares de floresta amazônica “são intocáveis”, mas que nos outros 440 milhões de hectares do país há muito a fazer, porque “apenas 1% está sendo cultivado com cana-de-açúcar e 4% com soja”.
Sobre sua relação com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e um possível incômodo pelo fato de esta questão sempre aparecer nas entrevistas, Lula diz que não há mal-estar. “Tenho um profundo respeito por Chávez. Trabalhamos muito em conjunto com a Venezuela. A briga de Chávez com os Estados Unidos é um problema de Chávez com os Estados Unidos”.
Em seguida, expressa seu desejo de “construir uma sólida integração na América Latina”, mas também a rejeitar que seu país tenha a obrigação de protagonizar esse processo. “O Brasil tem um papel importante na América Latina, mas não quer liderar nada”, diz.