O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã, Cuba e Venezuela. Em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16), Lula afirmou que o mundo não concede o direito à Casa Branca de ameaçar países soberanos com os quais não concorda.
“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU”, declarou o presidente brasileiro.
Lula destacou as ameaças recentes de Trump contra o Irã, caso o país não aceite os termos dos EUA para o fim da guerra no Oriente Médio. Ele alertou para a possibilidade de uma terceira guerra mundial decorrente de intervenções unilaterais, descrevendo-a como uma tragédia dez vezes mais potente que a Segunda Guerra Mundial. “Se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”, completou.
Sobre Cuba, Lula condenou o endurecimento do bloqueio energético em meio a um embargo econômico que dura quase sete décadas. Ele questionou por que não há preocupação similar com o Haiti, que enfrenta uma grave crise com gangues armadas controlando parte de Porto Príncipe, e defendeu que Cuba precisa de chances para melhorar sua situação interna. “Como é que pode sobreviver um país que está comprometido a não receber alimento, a não receber combustível, a não receber energia?”, indagou.
Em relação à Venezuela, o presidente brasileiro defendeu a realização das eleições de julho de 2024 e o acatamento do resultado para que o país retorne à paz. “O que não dá é os EUA acharem que eles podem administrar a Venezuela”, afirmou.
Lula também abordou a taxação imposta pelos EUA sobre exportações brasileiras entre abril e agosto de 2025. Ele recordou negociações com Trump, enfatizando que chefes de Estado devem priorizar interesses nacionais em vez de ideologias. Após conversas em novembro de 2025, os EUA retiraram uma tarifa de 40% sobre produtos brasileiros. Em fevereiro deste ano, o Supremo Corte norte-americano derrubou as tarifas impostas por Trump a dezenas de países, atendendo a pedidos de empresas afetadas.
*Com informações da Agência Brasil