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Política & Poder

Lula cita bets, 6×1 e diz a evangélicos em carta que peçam ‘discernimento’ a Deus nesta eleição

A carta aos evangélicos finaliza com um pedido para que o grupo vote com consciência livre. O petista conclama ainda o segmento a pedir discernimento a Deus para a definição do voto

Redação Jornal de Brasília

13/10/2026 23h54

brazil election runoff campaign

Foto: EVARISTO SA / AFP

MARIANA BRASIL E CATIA SEABRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O presidente Lula (PT) publicará cartas voltadas a católicos e evangélicos nos próximos dias. A ideia é criar um diálogo com esses grupos, frente à proximidade do segundo turno.


No texto aos evangélicos, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, o presidente cita a restrição às bets e a defesa pelo fim da jornada de trabalho 6×1-em que se trabalham seis dias frente a um de descanso- como ações de seu governo que “abençoam” as famílias.

O conteúdo da carta foi antecipado pelo jornal O Globo e confirmado pela reportagem.


No texto direcionado ao grupo, Lula diz ter chegado até a disputa pelo quarto mandato com a proteção divina, e que sempre atuou em defesa das famílias brasileiras. “As famílias são a base do Brasil que queremos”, diz trecho.

A carta aos evangélicos finaliza com um pedido para que o grupo vote com consciência livre. O petista conclama ainda o segmento a pedir discernimento a Deus para a definição do voto.


“Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil”, diz.


Lula diz ainda, no texto, estar comprometido com melhorias na saúde pública, aumento real da renda e preservação da natureza.


“Precisamos avançar mais, precisamos amar mais! Até aqui, ajudei a arrumar a nossa casa, o Brasil. Mas sei que ainda há muito a ser feito. Estou escutando o clamor legítimo e urgente de vocês por mudanças, por segurança, por futuro e prosperidade”, afirma.


De acordo com o coordenador-geral da campanha do presidente, Edinho Silva, as cartas seriam demandas dos grupos religiosos em questão. Versões iniciais foram apresentadas ao presidente, que pediu alterações antes da veiculação dos textos.


“É mais uma carta para que a gente trabalhe o diálogo”, declarou Edinho. Segundo ele, o presidente também deve assinar textos para outros grupos, muitos a pedido de movimentos sociais. “Tem várias iniciativas nesse sentido de cartas que que o presidente deve assinar. Nós estamos conversando com ele, o conteúdo, mas tem uma carta direcionada aos evangélicos e tem carta aos católicos.”
Os acenos ocorrem na reta final da corrida eleitoral, em um momento que a pauta religiosa ganhou destaque.


No feriado de Nossa Senhora Aparecida, tanto Lula como Flávio Bolsonaro (PL), que é evangélico, participaram de missas. A santa ganhou importância no debate político nas eleições deste ano a partir da disseminação da notícia falsa de que Flávio tem projeto para destituir Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil.


A história teve repercussão em parte do eleitorado católico e se tornou artilharia política entre os dois candidatos. Lula citou a notícia falsa contra o rival em entrevista, e disse que, enquanto fosse presidente, a santa continuaria como padroeira nacional.


Em julho deste ano, o PT divulgou uma carta elaborada por religiosos ligados ao partido em apoio à reeleição de Lula. O documento é aberto por um versículo bíblico. O aborto, um dos temas que mais causa atrito entre forças políticas de esquerda e grupos cristãos, não é citado diretamente no texto.


A carta começa com trecho de um versículo de João: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”. O documento não cita palavras como Deus ou Jesus. De acordo com petistas responsáveis pela elaboração do documento, o versículo é a palavra de Deus no texto.

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