O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca um substituto civil para José Múcio Monteiro no Ministério da Defesa para seu quarto mandato. O ministro avisou que não continuará no cargo e indicou a secretária-geral da pasta, Cinara Wagner Fredo, para sucedê-lo.
Aliados do presidente defendem a escolha de uma mulher para comandar a pasta. O nome de Cinara, formada em Direito e especializada na Escola Superior de Guerra, conta com a simpatia de Bruno Dantas, ex-ministro do Tribunal de Contas da União.
Antes de definir o nome, Lula consulta pessoas próximas que participaram da campanha, entre elas o senador Camilo Santana e o governador do Piauí, Rafael Fonteles. Os ex-ministros da Defesa Jaques Wagner, Nelson Jobim e Celso Amorim buscam o apoio desses aliados a um nome alternativo ao de Cinara.
O grupo acredita que o escolhido deve ter bom trânsito nas Forças Armadas e conhecimento da área de Defesa. Outro nome citado para o ministério é o da presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, mais lembrada como alternativa para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
O sucessor de Múcio assumirá a pasta em meio a restrições orçamentárias. Em junho, o próprio ministro apontou a precariedade da estrutura militar. “A Defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil”, afirmou Múcio durante um evento em Brasília.
Nesta semana, o governo cancelou R$ 226,51 milhões em dotações da Defesa e das Forças Armadas. Os recursos foram remanejados para benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e para a oferta de medicamentos pelo SUS.
As limitações de recursos afetam programas estratégicos, como o submarino nuclear, cuja entrega foi adiada para 2038. A Marinha informou ao Ministério da Defesa que os cerca de R$ 1,48 bilhão previstos para o projeto no Orçamento de 2027 são insuficientes para atender às necessidades de seu desenvolvimento.